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Ensaio Reticom

Ensaio Reticom

sábado, 30 de junho de 2012

muita coisa, pouca organização...

Até o silêncio tem me soado passivo.
As cenas que a vida me mostra não são dignas desta trava. Eles devem ser digeridas públicamente, pois se a própria existencia não mais se faz vista, minha indignação a fará notória.
Minha solidão improdutiva está constante e momentos indigestos também...

Não, não se coloca uma criança de quase um ano, sentada numa carroça sob o sol do meio dia, ao lado do corpo da mãe dormente, enquanto o pai procura por alumínio, ferro, papelão na tentativa de comercializar o que a sociedade descarta. Espera... eles não são parte da sociedade? Não formam o tal coletivo? A natureza da criança vai aceitar seu mundo como motivações e incentivos de vida, de processo de crescimento, de valores...

Vivo num mundo onde tudo que é usado, consumido, descartado é para uso exclusivo, personificado, egoísta. Sou de uma espécie que luta por si mesmo, com a consciência de que para suas conquistas é necessário mudar todo o externo e assim se segue. Os resultados justificam os meios, as mortes, a fome... é necessário esforço para o progresso. Progresso econômico...

A vida age, faz e mostra sem te perguntar se você está pronto. Você se faz pronto na necessidade...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O muro é invisível...

Nada faz sentido quando sentamos em cima do muro
Do lado de lá, coisas que machucam, magoam, desesperam
Do lado de cá, o conhecimento, o conforto, o esquecimento.

Volto pro muro. Quero pular, tentar fazer alguma coisa...
Compartilhar a paz ou amenizar a dor, compartilhar do sofrimento e amenizar o amor
Não fico, pois meu espaço é outro
Me ralo, mas subo e me devolvo.

Acordo cedo. Escrevo, mobilizo, não consumo
Acredito que tais ações reflitam por de trás do muro.
Espio quieta o grito que não sai, a lágrima que não se forma
Engulo seco a angústia da impotência hipócrita que me transforma

Seguro o desespero em choro que se chama desabafo
Até o dia que o vômito não mais justificará o que eu faço
O rir pra não chorar me causa medo
E já riu sozinha, com o pé no desespero.

E se pulo o muro? Pulo e fico lá!
Vou avistar outros olhos quando a fome chegar
Secreções vacinadas contra sujeira, violência...
E som da TV pra se calar.

Ninguém mais ao muro... A TV mostra o mundo
Ninguém mais à frente de uma dor sem culpa
Frente às desgraças e tolerância que não muda
Não se fecha mais os olhos, se pula corpos.

Já está tudo abarrotado. Seres vivos por todos os lados
Uns pulam e se perdem, outros tentam e são mortos
Quem senta sobre o muro nem é mais observado
Já tentam levantar seus próprios tetos tortos

Já penso que este muro tá na hora de cair
Vou sozinha e faço força sem medo de insistir
O discurso que soa defende os tetos tortos
Que dependem do muro para não serem mortos.

 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Temo assustar o amor, de tanto medo que tenho dele...

Não é a dor do erro que me machuca
À ele eu me permito, me transformo, me moldo...
O que amargura é o feio que habita, que tem raiz
Que só se percebe quando os espinhos crescem, fortes e sadios

Quando a defesa te protege do que é belo e seu
Quando a arma aponta de volta, do mesmo jeito, assim sem querer...
Quando você não é pro outro, o todo que o outro é pra você
Quando sua falta é ausência...

Dói quando seu natural não é seu discurso ideal
Dói quando as desculpas não servem, não resolvem
Dói quando o que dói no outro vem de ti como o ar

Temo assustar o amor, de tanto medo que tenho dele...


quarta-feira, 11 de abril de 2012

O segredo gritante das escolas
Todo mundo vê mas ninguém ouve

Estudantes detestam a situação
Grades, muros, ditadores garantem opressão
Geração passiva ganha força em multidão
Exercito na rua cumprindo a obrigação

Geração de cores e cara pintada
Protestos armados, situação manipulada
A liberdade de expressão não exige luta armada
A construção começa, todos com a TV ligada

Geração multimídia, global, tecnológica
Agora pode tudo, tem até arma biológica
Crianças, brinquedos, funk e vodka
Cada um atrás do seu, eis a nova lógica

Geração futura, fome e guerra é consequência
Explorar mais, produzir, vender, tudo na sequencia
Tentar a paz no mundo todo, pura inconsequência!

Vou parar por aqui, já bem perto da demência!
Sinto dores que não são minhas
Mas me faz querer que acabe!
Choro lágrimas alheias
E não há o que me cale!

É impossível enxergar a realidade e fingir que tudo vai bem
Garantir meu carro, emprego, conforto
Acreditando que a culpa é de ninguém.
Comemos de frente ao corpo morto
Desdenhando a violência e fingindo ser alguém.

Nos é exigido incoerente esforço
Para destaques, prêmios e diferencial
Mas quando na garganta nos chega o caroço
Não mudamos o mundo, mas nos isentamos do mal.

Nosso consumo paga, nosso silêncio contribui
A projeção alivia o dia mas não apaga a luz
A rotina devora enquanto o sangue flui
Que nosso destino chegue e a natureza faça jus.

Conflita-se, valores materiais
Escolhas matinais
Estupros morais
Culturas anais
Não precisamos de mais!

Estima-se por novos olhares
Benção dos mares
Simples gostares
Sempre mais pares!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A mente não mente

Ás vezes permito minha mente de fugir
A fuga nem sempre mente, traz ilusão...
É descanso, afastamento, desconstrução
É a pausa num tempo que não nos deixa sentir

Quando o afeto afeta
Quando a inclusão exclui
Quando o húmus umidece demais
                          e afoga a humildade

Quando submerso, só se faz olhar pro alto
É a luz, é o ar, é a imensidão prometida..
O que parece tão distante...
Muitos chamam de deus!

Se submerso, nada!
Porque a água te exprime, te exige, te provoca, te causa...
A luz do alto... nada!
O ar tá longe, a luz desfoca.

 (...)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Perde-se criança

Perde-se criança.
Perde-se criança para a pressa da vida.
Perde-se a lucidez quando o lúdico custa caro...
Perde-se criança quando a demanda prioriza,
Perde-se vidas quando o produto se torna raro.
Perde-se criança quando a violência completa a infância.

Infância infame! De embalagem colorida e conteúdo ausente
Tão novo no mundo mas na escola presente! Funciona infância falida...
Não há tempo para bolas, cordas e cores;
Amadurece-se com sexo, produtos e dores.

Infância infâame em instituições das 08h as 18h
Frações e frases entre a violência do coito
A família refletida após a novela das 20h.

Alfabeta cedo, pois o mundo muda
Primeira infância, violência muda!
Não corre, não chora, não suja, não pergunta.
Olha pra frente, absorve, aceita e estuda! Insere-se!
Estuda e se forma! Insere-se!
Emprego, carreira, Insere-se!
Carro e família constitua!
Insinere-se!!

Perde-se criança entre empregos e noitadas;
Perde-se criança para a TV ligada...
Perde-se criança se ela não abre seu presente,
Assassina-se a infância se seu momento for ausente.
Perde-se criança em escolas, ruas e certezas,
Perde-se sonhos quando a violência está na mesa

Perde-se pessoas, profissionais, professores...
Formam-se gerações frias, inexpressivas, sem amores...

Perde-se a criatividade para idealizar a liberdade!
Perde-se partido...
Parte-se perdido!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

mais ou menos isso...

Desarme seus sorriso e suas verdades
Ausente teu corpo da preguiça dominante
Desapegue da matéria e da vaidade
Perceba-te responsável por tudo, a todo instante

Não é o governo quem vai mudar
Não é o homem quem vai inventar
Não é a ciência quem vai apontar
Não é Deus quem vai te guiar

A única certeza que nos deve palpitar
É o sentimento de felicidade interna
E não a encontraremos plenamente
Enquanto houver fome, ganância e guerra

O único caminho que nos cabe buscar
É o da sensação de liberdade eterna
Enfrentar as consequências é o que nos faz mudar
A crença de que a mudança necessária é externa

Tudo vem de dentro pra fora
É você quem pede, o universo devolve
O que vem de fora pra dentro
É necessário filtrar, nem tudo se absorve

Limpar a sujeira, começa nos pensamentos

Perceba o mau que causas ao próximo
Antes de lamentar as injustiças do mundo
Mudar as maneiras, começa nos julgamentos

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Onde atuo? Pra quem? Como?

Talvez não seja minha hora de sentir, se jogar, de apostar
Talvez não seja minha hora de permitir, de conhecer, de arriscar
Talvez não seja minha hora de descobrir sozinha, deixar transbordar

As ondas que me inquietam; as possibilidades de ser todas que habitam em mim. Talvez devesse estar preparando a mim e ao em torno. Preparar-me fisicamente, pois meu interno é um constante sentir. Absorvo o que não é meu e o torno orgânico, e tomo pra mim, trago ao meu domínio. E domino!

Qual será, e se haverá o momento? ...

Talvez não seja no tearo
Talvez não seja em aula
Talvez não seja no cinema,
                                           na dança,
                                                           na carreira
que eu não tenho. Vem pra vida que mantenho.
Sinto a dor, sinto o medo, sinto o êxtase, sinto o pulsar o tempo todo.  Da ânsia de viver e no desejo de morrer. No sublime superar, no suave desistir. É tudo tão vivo, tão meu.... Me falta palco,
                                                                                                                 Me falta direcionamento,
                                                                                                                 Me falta a loucura de não permitir que o externo me limite. Onde é possível se não tenho no teatro
                                                                       no ensaio, na experiência, nos olhos fechados, no cair no chão
Palpita a dor, o riso. Palpita a solidão, as festas, as drogas, a saúde, o sexo, a frigidez e o desejo contido, preso. Palpitam os desejos imundos, o peso, a moral. Palpita a projeção de que nada é meu. Palpitam as vidas...
O corpo incha, não suporta mais.
              A imagem turva, gira, a mão dói, o barulho atormenta.
              O cabelo, o corte, o ânus, o nariz, a cervical, o dedão do pé, o ...
Relaxamento, o êxtase, o orgasmo mental.

O ar entra passeia e sai.
                                     Eu vivo constantemente a mudança e disfarço para não ultrapassar os limites das expectativas alheias. Eu sinto muito, vivo aos poucos. Para que a mudança não seja um choque . Se torne uma reflexão.
Tudo que me calo, me palpita. Nem sempre sai bonito! MAS SAI! Pra mim,
                                                                                                                      de mim,
                                                                                                                                    em mim       VOLTA!

É constante, é o ar, é o respirar. Só não faço barulho, porque
talvez não seja minha hora....

Considerações sobre a prática do Ator - III

O Ator deve ter a disponibilidade, a oportunidade, a coragem e o desprendimento de se jogar no seu próprio buraco negro, e o diretor é quem deve trazê-lo de volta quando necessário.
O Ator que interrompe ou nunca se quer se permite tal mergulho, não exerce com honestidade e lealdade a profissão escolhida. É como boicotar as próprias escolhas... beira o suicídio!
Não há espaço para o ator que mergulha, não aqui, neste mercado. Não sei no mundo, mas vejo onde atuo, sei do que sinto e o que me palpita. A profissão exercida aqui é como um biólogo que, por amor à vida, justifica o "sacrifício" de milhares de vidas. Se mata por amar, para amar. O Ator aqui se suicida em cada trabalho vendido, por cada godo cachê pagos por grandes dominadores, que retêm a veracidade do nosso trabalho.
O Ator não deve  viver para o externo, deve-se permitir estar sempre presente consigo mesmo. O Ator deve enfrentar suas sujeiras, sua falta de caráter, sua inveja, seu odor, sua secreção, seu ódio. O Ator deve dominar, racionalmente, seu amor, seu tesão, sua compaixão, suas amizades, sua fé.
Pois é a única  profissão cujas ferramentas de trabalho não são palpáveis, não são definidas e só são compreendidas quando compartilhadas.
Compartilhar não faz o outro sentir o que você sente. Isso é sempre individual, particular... Compartilhar é troca de referencias para que a busca se amplie, e ela não cessa nunca.