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Ensaio Reticom

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Movimentos e palavras anexos

Não há nada como a possibilidade de se acessar. Vasculhar no cérebro e no coração pesos e culpas, sonhos e lutas, risos e choros que me trouxeram e me fazem o que sou, onde estou.
A delícia em abrir o presente e lembrar que são frutos que plantei no passado. Tem exatamente o gosto que semeei. Reencontrar momentos...

A certeza de que minha verdade não é loucura, estrutura meus próximos passos para objetivos que deixarão de ser sonhos. Alimenta a confiança em algo maior que só cabe na infinitude da vida daqueles que aprendem a viver na eterna e diária batalha de negar a ficção física e os papeis que geram mortes. Papeis que geram mortes, que surgem a partir de árvores que simbolizam a vida. Que crescem pra cima, desafiando a gravidade. Que se alimentam da terra permitindo seus galhos que sonhem com céu. Buscam as nuvens carregando folhas, frutos e aves, mantendo-se firme frente ao tempo que não anseia.

Que delícia poder sentir o tempo passar por entre os poros e os pensamentos.
Que delícia permitir meu corpo de suar ao som do batuque baiano, dobrar os dedos dos pés sobre a terra e sentir as gotas que escorrem na franja que me cega. De olhos fechados, a música troca com a água que produzo. Uma entra, enquanto a outra sai.
Que delícia sentir a força das minhas pernas concentradas nos movimentos sem nexo que dialoga com a ruptura do silêncio. O silêncio que habitava em mim. O silêncio acumulado de palavras que não saiam e expulsei pela exaustão física.

Não escrever me entope. A ausência das palavras e suas junções que consigam expressar o que me invade, de dentro pra fora ou ao contrário, me entope de vazio o que ameaça explodir a qualquer momento. Por isso danço! Vazam palavras sem nexo, frases sem coerência... se explodir, não terei mais controle do que sai. Eis, mais uma vez, beirando minha estrada, a beleza da loucura. Por isso, danço! Onde a verdade que vaza não mais precisa fazer sentido àqueles que se esforçam a adaptação inquestionável da vida aqui.  Busco o equilíbrio de ser o que me transformo sem afetar os que me cercam... não acho um equilíbrio sadio, pois muito do que vaga sem resposta em mim, busca uma saída rápida e segura para que o outro não questione, o que deveria, mas não sei, responder. Por que deveria?? 

Tentar entender tudo que se sente é utópico. Por isso, eu danço!



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Desvairando o ano letivo

Meu estômago se contorce como meu corpo não poderia suportar
Concentra-se onde deveria digerir aquilo que eu escolhi mastigar
Engulo pedaços inteiros pois não há esforços externos que ajudem a triturar
A realidade medíocre e desigual que a maioria escolhe acreditar

Me desgosto, me desgasto
Invisto, saio e gasto
Relembro, releio, refaço

Me corrói a indisponibilidade, a indiferença, a irresponsabilidade
O orgulho, o consumo, o conforto, a preguiça não têm maturidade
Só seremos melhores de fato se nos desconstruirmos da verdade
Quando percebemos que fazemos parte do todo ao alimentarmos a iniquidade

Me despeço, sem apreço
Com choro, sem cheiro
Acho chuva desespero

Chovo tempestade que lava o que acumula nas terras e nas nuvens
Enquanto passeiam desfilando, cantando, se queixando, se afogando
Refresco minha alma inundando meu corpo
Agradecendo por mim e lamentando pelo morto.


Colhendo melões

Um ano em um dia!
Noite pingada, ansiedade vazante
Sonhos interrompidos por expectativas
Que nos trazem a vitória sem os passos de antes

Agarrar a esperança e o amor com os dedos
Pra que não escape, em nenhuma respiração
A gratidão infinita que engole qualquer medo
Que eleva seu estado até o próximo "não"

E em três horas padeço
Meu corpo reage, minhas lágrimas me afogam
Não mais me fortalece o meu apreço
Me contamina a superficialidade que outros rogam

A vida nos entrega o que merecemos
Plantamos sementes, mas não é certo o que colheremos
Se buscamos por água e pão, de certo podemos encontrar
Consistência para mastigar, nossa sede irá matar
Num pé de melão que nem ousamos plantar.

Te brota o que és teu de fato
O jardim do outro é lindo aos teus olhos
Mas há de custar ao outro os seus próprios.

Sou grata às minhas sementes de frutos
Que haverá de crescer para alguém saborear
Em meu caminho, encontro brotos que desfruto
Com a gratidão à quem um dia quis plantar.




quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Santa Paciência

Não me peçam paciência.
Eis um sentimento que pulsa em mim sem qualquer tentativa de ser agradável.
Eis algo que me ultrapassa e me equilibra sem que eu reflita.
Algo que se faz presente mesmo quando escolho não mais tê-la.
Está em mim sem que eu tenha qualquer controle. Eis a ausência da loucura, que pode ser doce...

Minha paciência me faz aceitar a matança e exploração de animais julgados sem valores, exceto comerciais.
Minha paciência me faz andar com meus cachorros presos ao pescoço para que não incomodem os humanos. Me faz confiná-los em casa, atrelando a liberdade deles à minha vontade de caminhar.
Minha paciência me faz respirar a fumaça preta dos carros e a densa e branca de corpos, saída de churrascarias. No qual tenho que aceitar serem chamadas de restaurantes.

Minha paciência me faz ignorar vidas abandonadas, sem qualquer condição de sobrevida.
Minha paciência me faz rir embriagada ao lado de um pedaço de corpo servido com ossos ao prato vizinho.
Minha paciência guia jogos e atividades às crianças, que se quer brincam... E têm os olhos guiados pelo estômago, fisgado na carne morta que, se quer mata a fome de quem tem.
Minha paciência vira omissão frente à um mundo repleto de injustiças descaradas onde todo mundo vê e repassa ou paga o incômodo. Onde nada é culpa de ninguém. Onde os bens materiais são justificados pela luta do trabalho diário.

Minha paciência me irrita! Me irrita pensar nos que tiveram tanta paciência frente à escravidão, frente ao holocausto. Me irrita aos que, na época, não puderam fazer nada, exceto aceitar com a paciência o caminho do homem branco. Me irrita aceitar com paciência que tratemos outras espécies do mesmo modo, como propriedades e nem se quer conseguimos respeitar a nossa. Me irrita ter que esquecer por uns momentos que há crianças morrendo de doenças erradicadas e fome em lugares distantes, pois preciso me concentrar no trabalho que paga minha internet e celular. Minha paciência me irrita!!

Se nossas insatisfações, nossas revoltas, nosso senso de justiça e noção de certo e errado, ainda são calados e boicotados por uma paciência que serve para nos manter na linha confortável da nossa medíocre existência  material, que venha uma revolta sem paciência da mãe natureza e nos proponha sentir medo, fome, desesperos comuns àqueles que mantemos longe de nossos olhos, distantes de nossa mente. Que venha a força dos oceanos, do vento, a precisão do fogo, a fome da terra para lembrar-nos que somos bichos. E que nossa prioridade deveria ser viver um dia de cada vez, e que só a fome de um deveria estabelecer o limite da liberdade do outro.




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Falta em mim..

Falta ousadia. Não tecnológica. Humana!
Falta coragem de abrir mão do seu pelo o outro
Falta autoconfiança, porque dinheiro não compra muita coisa
Falta curiosidade em descobrir que coisas são essas...

Falta interesse pelo outro, pelo meio, pelo futuro
Falta consideração para com os filhos, os pais
Falta lembrar que somos animais.

Falta usufruir antes de perder...
Coisas, pessoas, educação, esperança.
Falta faltar no trabalho quando alguém morre
Falta faltar na reunião da empresa pra ir na da escola

Falta dinheiro que compre noção, respeito, empatia
Falta prática na teoria.

Falta Deuses nas igrejas
Falta alimento nas comidas
Falta água na terra
Falta relação nas famílias.
Falta cidadão nas políticas.

Falta faltar pra gente mudar
Falta faltar no prato pra considerar a fome
Falta intolerância para com violência
Falta amor próprio, falta masturbação, falta noção.

Faltam árvores, e faltam sombras
Falta fruta no suco, falta filosofia na cerveja, falta conceito nas palavras
Faltam brincadeiras nas crianças, faltam pais nos responsáveis.

Falta de luz elétrica acaba com o ser humano...


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Olhar de turista

Escolho uma segunda de sol para passear pela cidade.
Ver SP com olhos de turista, onde tudo encanta e deixa saudade.
Passeei no Metrô até chegar a estação São Bento
Na rua sou recebida com folhas que dançam ao vento

Muitas árvores dão vida à um centro abandonado
Pombas, cães e pessoas dividem o gramado.
No calçadão, em frente à Secretária de Habitação
Um prédio inteiro tomado. Aos cuidados de uma população,
Sem moradia, sem emprego, sem cuidado.

Exercer cidadania não é apenas o lado bonito de uma sociedade doente
É buscar direitos básicos, defendido pela Constituição vigente
Na entrada do prédio, uma faixa escrita a mão convida
Para quem não tiver onde morar, tiver força e vontade de lutar
Que entre, pois o prédio abriga!

Estirados ao sol, colares, brincos e pulseiras de sementes
Elaboradas às mãos de algum morador sorridente
Da rua ou do prédio, alguns me acenam contentes
Diante a cena, percebi engravatados carentes

A diferença em não ter bens é o conceito de liberdade
Se por um lado comprar nos integra na sociedade
Por outro, nos mantém algemados na cidade
Fingindo criticidade, acreditando na autoridade.

Os bens de que não os têm é a troca constante
Vendem, compram, trabalham para viver o instante
Assumem o risco de serem itinerantes

Voltando à estação, meus ouvidos guiam meus olhos ao piano
Mochila no chão, um garoto atropela a pressa paulistana
De olhos fechados em meio a correria, Sinto a ventania deste tempo insano
Um olhar circular me exibe, o que me doeria,
Mas vejo nítido tudo que a vida engana.

A escolha é nossa, diária
Transformar instantes em momentos
Fugir de uma rotina sedentária
Viver em nosso tempo.
















segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O humano branco põe a mão e tira a vida.

Roubamos as terras, os rios. Derrubamos árvores descartando seus valores naqueles lugares.
Invadimos, matamos, estupramos e decidimos os destinos de quem não é humano branco com algum dinheiro.
Decidimos que este papel vale mais do que tudo. Mais do que a sua vida, a minha...
Decidiram por mim que vale tudo por estes papeis. Quanto mais, melhor! Tudo se justifica!

O humano branco inventou papeis! Papeis que os índios não têm para provar que a terra pertence à tribo. Papeis que os índios não tem para comprar quem decida de quem é a terra. De que é a terra???
De quem é o rio??

O humano branco compra vidas daqueles que não podem falar que não querem ser vendidos. Não querem sem mortos em laboratórios. Não querem que suas peles virem moda. Não querem andar de coleiras ou viver em gaiolas. Não querem serem arrancados do ventre que lhe dá a vida em troca de nada. Em troca de cesta básica. Básica pra quem??

O humano branco põe a mão e tira a vida.
A sensação é de dor e de desapropriação. Desapropriando meu coração que utopicamente acredita numa sociedade mais justa, mais empática. Meu cérebro, não.

Não me fará diferença que partido, que homem estará no comando, pois os interesses são os mesmos. As indiferenças são as mesmas.

Choro pelos brasileiros, os filhos da terra, irmãos da fauna, companheiros da flora. Choro pelo desrespeito, pela ganância, pelas mortes causadas em silêncio. Choro pela realidade que nos impuseram onde não podemos compartilhar a dor da vida com que as perde. Choro me fortalecendo para que eu não me adapte nunca ao jogo sujo do humano, adulto com algum dinheiro.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Um dia, no ônibus...

Queria reconhecer mais sementes e árvores do que marcas de produtos e serviços
Queria ter mãos na terra, cultivando meu alimento do que dedos nos teclados frios e imparciais
Queria amar mais as pessoas do que meus livros. Queria mais trabalho do que emprego.
Queria andar mais a pé do que de ônibus. Queria beber mais água do que sódio.
Acordar ouvindo mais pássaros do que máquinas. Saber mais do meu vizinho do que da Carminha...

Queria ler mais do que ver TV. Queria mais terra que asfalto.
Queria que as crianças desejassem mais frutas do que salgadinhos.
Queria ver mais estrelas do que cinza. Queria acordar com a luz do sol, não com o alarme do celular.
Queria mais conversa, menos fone. Mais oceano, menos petróleo. Mais arte, menos fama.
Mais ser, menos humano. Mais deus, menos igreja.

Queria saber mais de flores do que de remédios
Queria saber mais do índios do que do mensalão...
Queria mais abraços e rodas do que curtidas do FaceBook.
Mais Guevara, menos Pixote.
Mais árvore, menos postes.
Mais animais, menos carros.
Mais seiva, menos plástico.

Queria trocar as embalagens pelos pés. Pés de manga, laranja, maças...
Mais Paulo Freire, menos Xuxa.
Mais criança, menos esperança.
Mais cooperação, menos competição.
Mais companhia, menos campanha, .
Mais pássaros, menos prédios.

Vou fazendo, mudando, escolhendo...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Prefeiúra

A população de São Paulo precisa escolher neste domingo (28) entre dois tipos de interesses para governar a cidade: a política higienista, que vem mostrando serviço nos últimos meses (favelas incendiadas, cracolândia vaporizada) ou a pseudo esquerdista, que um dia citara Marx. Que é como ganhar dinheiro com a imagem de Guevara, né? Capitalismo definindo moral!
Neste briga, as emissoras nos presenteiam com debates entre os candidatos, de um nível inacreditável! Uma briga quase infantil, ilustrada por ofensas medíocres que chegam às "famílias" políticas, seus respectivos partidos. Só faltou ofender às mães! Se eu fosse o mediador nesta briguinha, digna de sala de diretoria infantil, entregaria uma advertência pra cada um e só autorizaria o retorno de ambos com a presença de um responsável. Difícil é encaixar este adjetivo em alguém nesta corja toda!
Enquanto grande parte da população sobrevive entre esgotos e tábuas urbanas, ainda serve de batata quente no jogo hipócrita propostos nos debates televisivos e propagandas eleitorais, que deveriam ser pagas, com largos cachês direcionados à educação e cultura municipal.
As pesquisas vão definindo nossos votos, como as campanhas publicitárias nossos gostos de consumo. Estamos presos nesta sujeira toda, que nos gruda feito graxa e elimina quem tenta se limpar.

É vergonhoso, numa democracia (tão pseudo quanto a esquerda do PT) nos obrigar à escolha do menos pior. Não há quem represente os direitos civis, direito institucionais, de nossa população.
Será que queremos nossas crianças o dia inteiro nas escolas? Será que não faltam pais nesta rotina? O ideal seria que os verdadeiros responsáveis tivessem tempo, condições e dignidade para estar presente e participar de uma das fases mais importantes da vida de uma pessoa. A infância não é respeitada! Não é considerada...
Será que queremos MAIS ambulatórios e escolas? Não temos números suficientes para que exijamos que funcionem!
Será que precisamos de mais remédios? OU o que nos falta é saúde? Precisamos de alimentação de qualidade, de água potável, de uma rotina saudável. Precisamos de mais transportes públicos? Ou uma inteligencia logística seria suficiente? Será que não precisamos de condições para viver onde eu moramos? Que não precisemos atravessar a cidade para ganhar R$ 700,00 por mês. Nos falta educação digna para que os adultos escolham trabalhos, não empregos. Ações que sejam produtivas à sociedade, não que alimentem de forma escassa empregados maquinados. Uma cidade que acolha as crianças com competência e carinho, não mais depósitos infantis. Arte acessível e desmascarada, não elitizada e vulgar.

Não há representantes hoje que atenda às necessidades desta cidade. Ser obrigado a escolher quem vai faturar em cima do suor desta população, de um povo abandonado, que trabalha por osmose, sobrevive e ainda sorri por entrar nos débitos da classe média. Precisamos de atenção, de respeito. Nada disso é dito, citado ou considerado. Nos falta a consciência de não votar em quem não nos representa! Nos falta lembrar que estes caras trabalham pra nós, e não o contrário.


"Um olho na bíblia, outro na pistola"

"Um olho na bíblia, outro na pistola. Encher os corações, encher as praças com meu Guevara e minha coca cola" - Trecho de O Herói, Caetano Veloso.

A violência me assalta com tamanha violência que impede meu salto.
Desfila elegante, com salto alto, pega outro, mãos ao alto, mais um assalto.

A violência tão presente que se faz rotineira, cotidiana... Todo mundo sente, vê, vive, mas fazer o quê?
Índios brasileiros jogando com a legislação e com a vida, o direito ímpeto de manter-se vivos.
Vivos em suas culturas, em suas terras e plantas, em suas tribos e ocas
Cultivando na terra mais vida do que a vida pavimentada das cidades ocas.

O crime da TV bateu na minha porta. E ela abriu!
Sras e Srs. há uma escolha só.
Sras. e Srs. é melhor sem dó!
Soc Pah Bum!!

A novela veio inteira onde sou protagonista de hospitais sem atendimentos, onde as baratas e corpos humanos dividem o chão de um ambulatório imundo sob os risos sem culpa dos enfermeiros. Sou protagonista numa locação barata de delegacia, onde todo mundo cansado demais, transforma a tentativa de homicídio em desinteligência ou briga de família. Meu caso é só mais um. Depois do jornal começa a novela.

Faço parte de um sistema doente, que agride e me amordaça, me permitindo caminhar à passos curtos, amarrados com correntes, trupicando na calçada, me deparando com doentes. Não tenho mais certeza do certo e do errado, se o errado está em todo lugar o tempo todo, e a gente continua seguindo a fase, como preso num jogo de video game, tentando chegar em algum chefão nojento com três vidas, pra que a gente se sinta vitorioso e valente para próxima fase. No fim, o chefão é sempre o mesmo, cada vez mais forte...

30 anos, morando com mãe, sem profissão. Adolescente medíocre, que sofre dores que não são próprias. Vem de fora! Assume as dores do mundo, mas não resolve a si própria. Ah tão cansada das ordens impostas para ser mais uma peça funcional, num sistema que vai mal... Me refaço um pouco por dia, refaço minhas dores e forças para que nada me anestesie.

Humanidade adolescente, que ainda trabalha por dinheiro, sonha com carro chique e come petróleo. Tem medo de crescer e lembrar que não tem tomate o ano todo e o suco não vem pronto na caixinha. Medo da terra. Dorme com o lixo na porta, o medo no alarme, a culpa na blindagem. Nossas crianças nem sabem o que cheetos ou de onde vem o peito do peru... Que diferença faz? Nem os pais...

Palavras já não pesam seus significados, utilizados em jogadas marketeiras e exigidas em entrevistas de emprego. Emprego não é trabalho! Emprego dá dinheiro. Trabalho, dignidade! Faltam trabalhadores numa sociedade adolescente, que ainda em crise compete com imagens e objetos que elevam uma moral que deveria ser composta de empatia e respeito. Adolescência prolongada pela necessidade do ter, pela crise de identidade e pelo que os outros pensam de você. Adolescência tardia, pós infância reprimida que se desenvolve sem se tocar, que cresce sem brincar, que brinca sem sujar.

Humanidades adolescente, que julga, se preocupa com a aparência, enalta e afunda ídolos, e mal definiu quem é e do que gosta. Humanidade onde os hormônios descontrolados são moedas que comandam um corpo promíscuo. Verdades fictícias...