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Ensaio Reticom

Ensaio Reticom

sexta-feira, 8 de março de 2013

Que minha indignação possas ser o combustível do meu Amor, nunca do meu ódio.

Que vergonha me arrebata quando eu esqueço, por um segundo, a beleza de se fazer o Bem.
Que vergonha quando permito que minha indignação me derrube, me impossibilitando de fazer o Bem.
Que vergonha quando as opiniões mesquinhas, cegas e egoístas me paralisam diante de fazer o Bem.
Quer vergonha sinto, ao ver o Bem, que todos estes os sentimentos egoístas e cegos me invadiram, me enfraqueceram, me derrubaram. Pois existem em mim.
Que vergonha me desviar do meu caminho por desacreditar no caminho do outro.

Acredito no Bem, no Amor e me perco quando julgo que as pessoas estão perdidas.
Julgamentos nos atrasam.
Vou permitir que as pessoas se afastem. Me permitir afastar.
Ceder-me ao desconhecido.

Que possas estrar sempre próximo do Bem. O Bem íntegro, sem hipocrisia.
Que possas ter força para afastar os que fingem o Bem
Que possas ter coragem de negar aos que trabalham excepcionalmente e só pelo próprio Bem.
Que minha indignação possas ser o combustível do meu Amor, nunca do meu ódio.
Que minhas dificuldades possam me transformar mais forte!

Assim seja!



quarta-feira, 6 de março de 2013

Quarta feira, três mortes

Nesta semana foram divulgadas as seguintes mortes: de um índio na Venezuela, que em luta pela preservação das terras frente aos interesses econômicos, foi assassinado numa emboscada, assim como seu pai que lutava pela mesma causa: A preservação das terras indígenas.
Do presidente Hugo Chávez que, tido como ditador comunista, buscou preservar as riquezas nacionais em nome do desenvolvimento interno, virando as costas ao que considero uma ditadura consumista ditada pelos norte americanos e acatada pela grande maioria das nações.
E do cantor, agora considerado poeta, Chorão. Vocalista de uma banda pop que fez a música da Malhação, programa interminável da rede globo.

Tenho visto mais frases do Chorão do que qualquer outra relacionada às questões políticas e sociais dos outros dois mortos. Numa cultura onde o entretenimento é mais valioso do que a política, as pessoas tendem a trabalhar pelo bem estar pessoal e não pelo desenvolvimento social.
As coisas se encaixam na minha cabeça! A procura por profissões rendáveis frente à busca em atuar com aquilo que se ama, onde o trabalho é voltado para o coletivo fica claro quando a preocupação está mais no bem estar do que no estar bem. Bem estar é momento, é individual. Estar bem é inserção, coletividade, contínuo.
Meus amigos virtuais se comovem mais com a morte de um cantor pop que não me diz nada, do que com a morte e assassinato de pessoas que viveram e trabalharam pela sociedade.O dinheiro é o fator chave disso tudo! Chávez incomodou por fatores econômicos, este índio foi assassinado por interesses econômicos e o Chorão nada tem a ver com a economia!

A tão falada e revoltante política do "Pão e Circo" continua com status de democracia. Você pode "escolher" seu trabalho. "Escolher" o que (dá) pra comer. "Escolher" seu entretenimento. Suas escolhas geram consequências.. Então não é culpa de ninguém se você escolhe ser professor, que todos sabem que ganha mal, que não tem retorno fácil, nem qualquer estrutura profissional. O "BUM" do momento é o petróleo brasileiro. Você pode escolher ser bioquímico, e estar inserido no mercado, ganhando bem.
Você pode escolher se alimentar de orgânicos, mas você precisa ganhar bem porque usar menos pesticida faz do produto mais caro do que o contaminado. Ou você pode tentar plantar, numa cidade cinza, de asfalto que sufoca a terra e ar que sufoca a planta. Daí você pode escolher não ter carro! Pega a bike e torce para que o motorista do ônibus esteja num bom dia e não te odeie por atrasar o trânsito. Mesmo que ele ganhe mal, more mal, durma mal... Ninguém tem culpa! É a escolha que faz parte da democracia!

DEMOCRACIA: Governo do povo; soberania popular; democratismo. 2-Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição eqüitativa do poder.”

Está aí então... Os princípios do povo!


Ditadores Comunistas Maus!

Ditadores aqueles que preservam riquezas nacionais para que seus frutos sejam daquele povo.
Ditadores aqueles que preservam a comunicação limitada aos valores morais e de senso social.
Ditadores aqueles que colocam pessoas a frente de empresas.
Ditadores maus! Que alfabetizam toda uma população e compartilham a consciência que a liberdade de consumo é uma utopia.
Ditadores que fecham as portas para corporações globais e tentam reestabelecer os negócios locais.
Ditadores maus! Que calam a boca de quem vende a alma por dinheiro. Que fecham as portas à quem compra tudo a qualquer custo.
Ditadores maus tentam preservar valores que já ganharam preços.
Ah! Malditos sejam esse comunistas! Que tentam travar a todo custo o direito de alguns deterem o poder. Que tentam acabar com a exploração de trabalhos escravos tão bem rotulados de democracia. Que acham justo andar livremente entre as pessoas, sem qualquer segurança ou arma de fogo. Comunistas maus e feios! Que privam as pessoas ao acesso livre a internet, um veículo de comunicação global tão útil para inutilizar milhares de pessoas que ficam presas em frente suas telas, felizes e revoltadas, sempre manifestando opiniões tão ricas e embasadas! Que vergonha privar a população de se comunicar com o mundo antes que se organize a comunicação interna e social.
Invadamos estes pobres países pobres que não consomem McDonalds e tênis Nike. Pobres países pobres cujos presidentes ditadores preferem oferecer-lhes condições de vida digna à ser livre para escolher entre a pobreza ou a venda da alma. Invadamos com nossa tecnologia de ponta para mostrar-lhe a beleza da comunicação global como num comercial de margarina. Mostremos nossos blogs revoltosos, com textos mal escritos e sem fundamentos, exibindo a beleza da liberdade de expressão de um povo sedento de informações. A liberdade de se falar o que pensa e ignorar o outro, que pensa errado. A liberdade de imprensa que discute a "ética na tortura" numa página de jornal de domingo. A liberdade de expressão de um povo que vai as ruas exigindo ética política, honestidade com dinheiro público e não faz a maior diferença, exceto atrapalhar o caminho daqueles com compromisso pela cidade.
Que vergonha estes políticos livre entre a população! Que vergonha privar o mundo de usar seu petróleo, sua terra, sua água, seu povo para o desenvolvimento global das Américas.
Ditadores comunistas maus!

A liberdade de expressão é a característica da democracia. Todo mundo fala, ninguém ouve! Todo mundo escreve, ninguém lê. Então a gente capricha no visual, pra chamar a atenção daqueles que nos interessam. Mas o visual ideal muda a toda hora... Tenho que estar antenada às tendências!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Com um pouco de coragem, silêncio não é omissão.

Há uma luz que conforta, aquece, queima, arde, arranca, rasga, expõe...
Aquilo que te faz amar, quando te faz engolir desrespeito, te faz questionar.
Questionar a si mesmo, o que se ama, o que se aceita...
"A paz que eu não quero para ser feliz" é aceitar por convívio social ou consideração, falas e comportamento que julgo o atraso da revolução mental, e consequentemente social, do ser humano.
O egoísmo, a ganância, o ódio, a intolerância.
Penso e repenso meus defeitos e sombras quando lembro quanto amor cultivo àqueles que agem de forma, ao meu ver, errada. Ao meu ponto de vista, posso lembrar de aceitar o tempo, as referências, a semiótica de cada um. Mas ao me sentir desrespeitada, ameaçada, confrontada, não cabe mais ao tempo do outro minha calma e paciência. Cabe ao meu questionamento quais são os valores que posso manter, melhorar e cultivar em mim daqui por diante.
Há algum tempo fingi não ouvir comentários racistas, reacionários, preconceituosos por virem daqueles que eu amava, daqueles que me recebiam. Hoje entendo que a barbárie se planta aí. Nestas palavras do próximo e no meu silêncio. Na minha presença omissa no cultivo do ódio, onde minhas lágrimas de indignação alimentam a distância da paz. E que o amor morre na mesma condição, quando o que se um dia admirou se dissolve em atos mesclados de familiaridade.
Se o amor prevalece, trabalhamos juntos na transformação de ambos. Mas não é possível transformar sozinho.
Não da pra deixar de amar com a mesma intensidade e velocidade que uma surpresa indigna, mas é possível sentir, quando passou, que um pouquinho de amor acabou. Vazando com o que um dia nasceu da admiração, da cumplicidade, da humildade, da troca... quando tudo evapora, percebe-se o amor tão isolado, em partículas tão pequenas, que qualquer vento o faz perder o sentido. É uma morte dupla!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O silêncio do carnaval, as cores que ficaram, as máscaras que voltam

A cidade voltou a respirar seus ritmos frenéticos. Sua pulsação de construção, a indiferença de seu cinza...
A alegria em acordar, o sorriso ao olhar o próximo, a simpatia, paciência e euforia foram guardadas com a fantasia. Voltamos ao olhares de tédio entre filas de carros, rostos perdidos no trânsito de pessoas que buscam por conforto em meio ao que desconforta.

Foram dias em que árvores em V, estupradas pelos fios, me soaram mais verdes.
A força de suas raízes que empurram o concreto, lutando pela liberdade natural de Ser... Liberdade que lhes fora privada. Que fé e força há nestas árvores urbanas, que acariciam meus cabelos quando sorriu ao céu... É uma das mãos de Cernunnos, que abençoa àqueles que ainda sorriem ao seu lar, ao seu corpo. Toco seu tronco me permitindo que a firmeza de sustentação abençoe a minha gana de usufruir da força da gravidade, para manter-me pra cima, entregue ao vento.

Acabaram as marchinhas, o brilho, o amor sem limites
Fica a ressaca e o tédio do normal, à tudo que volta a ser como era...
Uma transformação fictícia, de fantasia postiça, que não têm força para esconder a armadura há tempos fundida, enraizada...  como concreto que priva as as raízes de respirar a terra.

Sigo meu carnaval, que cessou por alguns dias, quando outros quiseram pular
Sigo pulando e cantando, jogando purpurina em caminhos abafados
Sigo me montando todos os dias, recebendo risos quebrados, de ofensas ou de beleza
Sigo acreditando na música que a natureza me canta todos os dias, destacando-se do barulho confuso que o homem faz.
Sigo sorrindo aos estranhos, acenando aos irritados, lutando como às arvores que querem manter-se seguras e livres em seus próprios lugares. Acariciando cabelos, permitindo toques, trocando amores pulverizados em olhares distantes... nos olhar longínquos de suas próprias raízes, que estranham suas próprias vontades.

Aqui, só começou de novo!!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

dilui-se

Há algo pesado no ar
Com uma necessidade gritante de se dissolver
Deixar dissipar e em seus pedaços se perder
Sem o tédio do ridículo medo de sofrer

Há de se deixar pesar
Aquilo que é meu e devo carregar
Diluo no álcool partículas isoladas
Isolando o que não se pode (ainda) transformar

Me assola outras dores
afim de inferiorizar meus pavores
Me bate na cara a ironia
De ter criado meus próprios horrores

Acomodada, dou colo a mim mesma
Sofrendo de solidão inventada,
Clamando por situações criadas...

Entre meu direito de bagunçar o meu eu
E pedir ao externo que me acompanhe...
Isolo a festa cega entre pão e champanhe

...






segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

No Inferno Astral

A doce sensação de se permitir àquele leve depressão quase cênica, que condensa o tempo e o espaço. Que permite à delícia de uma dor quase escolhida, o peso das lágrimas alcançadas.

O céu se divide entre o azul mais vivo que meus olhos alcançaram e o cinza úmido mais cabível ao momento buscado.
O vento coreografa as folhas que as árvores se desfizeram e permite-me como espectadora de um dos mais belos espetáculos de dança, que alcança o tato, o olfato, a audição... quase num convite ao tempo para que deixe de ser linear.

E neste envolvente espiral me reencontro comigo mudada, num tempo que passa e me retorna presentes.
Na delícia de repensar no que foi vivido em 29 anos, avaliar o que construí dentro e fora de mim, não há necessidade de fuga frente ao aperto que começa de dentro, no centro.

A doce depressão quase cênica, com trilha sonora adequada, vozes rachadas... chuva, livro e filme que embargam a ânsia de uma alegria infantil, adiando e preparando novos conteúdos e estruturas que construam  uma nova felicidade.

Me permiti, antes de gozar do inferno, vomitar palavras sem nexo, sem a beleza da prolixidade ou das doces confusões metafóricas. Há textos que transmitem minha perdição num tempo sem controle até que cesse em mim o desejo de boiar na areia movediça, que envolve, abraça, conforta...

A doce sensação de depressão quase cênica do meu inferno astral.
Acredito quando faço acontecer. Me delicio quando perco controle do tempo que me joga de volta pra mim...

Eu vou voltar. Mudada, mas sem deixar de ser eu em busca de mim.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Acordei gorda!

Sabe quando a gente cede para as futilidades?
Acordei depressiva em pôr qualquer roupa para sair na rua. Acordei de mal com o espelho, lamentando minha barriga, minha bunda, minhas pernas...

A estupidez deste padrão de beleza é tão grande quanto sua força.
Permitimos olhar-nos e lamentar nosso corpo, quando deveríamos ter gratidão, por termos plena capacidade física e mental, para realizarmos tudo aquilo que realizamos no dia a dia.

Vejo crianças tão pequenas sofrendo por não atenderem um padrão imposto de beleza.
Por não serem magras, loiras, altas... Meninas de 15, 16 anos que sonham em fazer plásticas para alterar seu corpo, pois não são perfeitos. (??)
O imediatismo exige rótulos bonitos para que sejamos bem aceitos.
Falta-nos criar tempo para criarmos pessoas dentro destes rótulos.

Como a roupa que visto ou o tamanho da minha barriga pode incomodar ou impactar mais do que aquilo que falo ou faço?
As pessoas vêem mais fotos no facebook do que leem os blogs!
Nós construímos este valor e nos prendemos à ele, nos engrunhando num nó de depressão, solidão e  insatisfação. E deixamos que nossos pesos nos importem mais do que situações sociais inaceitáveis.

Nos limitamos a aparições externas. Viramos produtos de uma sociedade fruto farto da revolução industrial. Somo educados por marketeiros, cujo formato da embalagem e o rótulo deve desviar a atenção do conteúdo. Às embalagens feias não têm demanda!
Concorremos com a gente mesmo numa guerra fútil para uma beleza externa, e deixamo-nos cada vez mais vazios...
Vejo preocupações alimentícias focadas nas calorias, não nos nomes estranhos que mal identificamos, ou na origem e processo daquilo que chamamos de alimento.

Esta escolha por rótulos, escolha por sermos rótulos, contribui para outros comportamento ocos, como escolher um cachorro pela raça. Passamos a ser controlados pelo gosto imposto. Não temos mais certeza se gostamos do que gostamos, ou se gostamos para que os outros gostem da gente. Nos deparamos então, com uma sociedade farta de pessoas que agem previsivelmente, se afastando de si mesmo para poder se querida por outros que mal se conhecem.
Nosso comportamento social pode ser limitado ao Facebook. Um mundo de aparências, onde todos leem Nietchszie, todos amam animais, todos são belos e bonitos. Mas esta propaganda de margarina acaba assim que falta luz. No escuro, podemos nos mostrar monstros egoístas, que roubam e depredam, ações que gritam aquilo que a gente esconde.

Que difícil é encarar o mundo para aceitar ser você.
Pois escolho que minha embalagem será transparente, com rótulos diversos que as vezes vão agradar, outras não. Que as vezes vão enganar sobre o conteúdo. Que as vezes vão afastar, e outras, criar demanda.
Escolho ser mais fiel e exigente no que me preenche, no que me recheia.

Num mundo, como um grande mercado, produto sem rótulo não vende.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ausência da religião e a imensidão da fé

Não, não tenho religião.
Não achei nenhum templo que louvasse o valores que cultivo
Não achei nenhum padre, bispo ou sacerdote que respeitasse a vida como eu julgo.
Não achei nenhum espaço que acolhesse quem realmente necessita e pessoas que dissessem "Não" ao dinheiro, entre escolhas maiores.

Não creio em deuses vingativos, homofóbicos, sexistas ou sanguinários.
Não me fez bem acreditar num velho julgador me olhando por cima, me apontando o dedo por ser feliz comigo mesma.
Não me guiam palavras invocadas por exploradores.
Não me acertam invocações de respostas imediatas, sem o caminho árduo do autoconhecimento, da empatia e da paciência.
Não creio na superioridade humana, não creio que consiga comprar em espaço no céu e não creio que posso bancar igrejas se mal consigo manter minha casa, contas e família.
Não posso entrar feliz num palácio que fecha as portas à quem tem fome e frio.

Acredito que as pessoas estão aqui para crescimento pessoal.
Acredito que os outros animais nos ensinam com olhar, comportamento e lealdade.
Acredito que o desafio é viver neste mundo de matéria criada, de vidas compradas, de dores esquecidas
sem perder o amor que vem de dentro. Pois quando brota o amor por si mesmo, você se percebe atrelado, como numa rede invisível, à todos os seres que compartilham desta terra. E cada nó desta rede afeta seu desenvolvimento, logo não é possível uma evolução plena e íntegra. Passa a ser sua responsabilidade o bem estar do próximo. Passa a te afetar as dores e as escolhas do outro.

Acredito que a vida é muito mais simples do que esta inventada pelo homem.
Sou invadida diariamente por forças extremas de vida que me tocam por meio das folhas, do vento, da água, do calor do sol... E há em mim um sentimento de gratidão que não há o que retribua, exceto ser uma pessoa melhor à este mundo que me acolhe.

Não tenho religião. Tenho algo muito maior ao fazer parte deste universo todo.
Meus Deuses não me ameaçam, não me julgam, não me condenam, não me cobram...
Meus Deuses me acolhem, me alimentam, me sustentam, me mostram...
Meus Deuses dançam e bebem. Porque ser feliz não é pecado!

Pecado é deixar-se guiar por aqueles não se importam com sua vida!
Pecado é deixar de amar por medo de sofrer
Pecado é querer comprar a garantia de ser feliz no futuro.
Pecado é não abrir seu presente.
Pecado é não viver aqui da melhor maneira que você acredita para ser feliz.
Pecado é não se ouvir, não se tocar, não se conhecer
Pecado é não sentir, é ignorar o que te pulsa. É dizer que não sabe dançar...
Não saber dançar é como não saber dormir!
Pecado é não VIVER!!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Vomitada Verde e Amarelo

"Em menos de sete horas, mais de 10 mil pessoas se cadastraram no programa Brasil Voluntário"

Fonte: http://www.copa2014.gov.br/pt-br/noticia/em-apenas-sete-horas-mais-de-10-mil-pessoas-se-cadastraram-no-brasil-voluntario

O que há de errado comigo para uma notícia como esta me irritar tanto? Por que assistir campanha do governo solicitando trabalhadores para prestar serviços, de forma voluntária, para a Copa, me deixa tão perplexa??
Por que, há quase dois meses, eu aguardo formação de grupo (12 pessoas) para um curso de Alfabetização para Jovens e Adultos, de graça no Instituto Paulo Freire, e não há educadores interessados??
Por que a África morre de fome e doenças erradicadas desde que eu nasci e uma fortuna é investida em entretenimento barato e vulgar?
Como, da Copa no Brasil eu cheguei na África faminta??

Itaquera, uma das regiões periféricas mais pobres da cidade, foi escolhida para a abertura da Copa, na casa do time que carrega a maior torcida de SP ou do Brasil, sei lá (acho que perde em números para o Flamengo). Há então, um investimento significativo na região e desapropriação de milhares de famílias... Escolhem, no Rio, o Museu do Índio para um ótimo e amplo estacionamento. Quem liga?? Índio vai virar lenda para as próximas gerações. Enquanto desenrola toda uma estrutura para a Copa, nossas matas e índios nativos são devastados por outros interesses econômicos. Milhares de abaixo assinados vêm parar na minha caixa de email... adianta?? Mesmo??

Enquanto isso, a população brasileira morre afogada nas chuvas que, sempre, sempre é maior do que o previsto, todo ano!! Subgrupos se acumulam nas praças ou nos eventos on line para gritarem contra outro aumento da passagem de ônibus ou contra políticos acusados adquirirem novos cargos públicos ou contra a imprensa de manipula a cabeça das pessoas. Veículos criticados são líderes de consumo!! (Claro... estes mesmos cidadãos, consumidores, leitores e espectadores, que devem se candidatar a trabalhar de graça para um governo vagabundo numa copa sem nenhum cabimento moral!)
Os que protestam de alguma forma, são jovens, filhos da ditadura que tentam fazer a diferença sem saber como... Não sabemos como chegar onde queremos chegar. Não temos um inimigo à combater... temos partículas do mal em todo o ar. Lutamos contra quem? Contra o que?? Contra o capitalismo soa tão utópico, quase juvenil...

Vou chegar na África...
Vender tudo e largar a família para ir ao outro lado do globo assistir à um jogo de futebol, é traduzido como amor, loucura, paixão... bons adjetivos! Largar tudo e tentar ajudar uma alma que seja na África ou nas comunidades ribeirinhas brasileiras, sem qualquer subsídio do governo é insanidade, viagem, loucura em contextos negativos. Não ter emprego fixo é arriscar muito... nossa! Que loucura! Se arrastar todos os dias para algo que não é natural, quissá saudável, em um ambiente hostil e competitivo é a ordem. Loucura é sair de casa e virar andarilho, sem ter garantias do que comer, do que vestir, onde dormir... É supernormal trocar os dias, vender a vida em parcelas que garantam um bom restaurante, uma cama quente e roupas de marca... Não crítico a loucura, gosto e valores de cada um. Mas lembremos que nossas escolham geram consequências que envolvem outras pessoas.

Estes 10 mil voluntários certamente reclamam de um governo sedento e injusto atuante no Brasil. Pagam, por ano, quatro meses de trabalho, direto nas mãos do governo. Mesmo assim se voluntariam para servir turistas na copa... Lembro quando o Bush filho veio visitar o Brasil e um grande tapume fora levantado diante as favelas, para que a pobreza não fosse vista.

A verdade é que um grande tapume fora levantado nas extremidades de nossos olhos. Não conseguimos enxergar a África... Não conseguimos mais nos chocar com a violência da polícia invadindo barracos e expulsando pessoas de lá... Já aceitamos viver em barracos, ao lado de córregos imundos. Já aceitamos ter que pagar por tudo que nos é de direito constitucional (saúde, educação, moradia e alimentação). Já aceitamos pegar três caras conduções por um emprego qualquer que pague ao governo o que ele nos deve!
Aceitamos tudo sorrindo, sambando, bebendo... E agora, por que não? Sejamos voluntário em um evento que movimenta milhões de reais para o entretenimento gringo, burguês!

Preciso de 10 pessoas interessadas em aprender a alfabetizar adultos, para fechar um grupo. De graça!! No Instituto Paulo Freire!!! Sabem quem foi Paulo Freire???

A África não me passa!! Não consigo entender, aceitar... Vivemos numa educação que acatou aos Holocausto! Acata até hoje...