Eles eram bons. Um casal, aos olhos comuns, tão ordinário quanto a patética mesmice social propõe.
Entre eles, não. Nem Julia, nem Lúcio, buscavam no outro o ser encantado e perfeito que carregasse suas felicidades eternas. Pura ladainha! Buscavam pessoas que os fizessem melhores, que colaborassem com a dura encarada daqueles defeitos profundos, que insistem em aparecer nas horas desconfortáveis. Julia e Lúcio acreditavam no amor amplo, de gaiola aberta sob grama vasta, entre flores suculentas.
Julia e Lúcio se conheceram num curso qualquer. Depois se reencontraram no museu do centro da cidade e de lá, decidiram tomar um sorvete. Sem lactose, para ambos!
As coincidências iam colaborando para que a singularidade de um, esbarrasse nas esquisitices do outro. Logo de cara, o assunto dos dois viajaram o tempo para que conseguissem falar e compreender as palavras, sob os mesmos conceitos, e lá na raiz etimológica da questão, escapavam risadas e questões muito pessoais, que fizeram mostrar um ao outro muito além das roupas sobrepostas e tatuagens indígenas em exibição popular. Tudo fazia ainda mais sentido naquilo que cada um se propôs a ser à si mesmo.
Julia e Lúcio moram juntos há dois anos. Numa casa antiga, no centro da cidade, onde o dinheiro pode pagar. Lúcio é professor, Julia florista. Ganham mal. Mas aprenderam sozinhos que a felicidade é um objetivo diário, não mensal, nem pra vida. E alcançam uma maior amplitude na alma, num botão que se abre ou numa questão esclarecida. Julia e Lúcio, de raízes fortes, fincadas à terra. Mas cabeças e braços que buscam o céu.
Fim de ano, e Lúcio descansa das crianças enquanto Julia se perde entre arranjos. Na sacada, ele observa as pessoas que, engolidas pela cidade, se entregam agora ao raro silêncio das ruas. Na ausência de carros, elas podem talvez ouvir o peso de suas solidões. De cara com uma cidade que não os enxerga, elas, agora, são seus únicos pertences.
- Ju, vamos compartilhar este fim de ano com as pessoas da rua?
- Que grande bobagem estas festas todas...
Julia largou sua tesoura no piso frio, e seguiu à varanda, deixando passos de terra pela sala. Carregava um prato de barro, com pétalas secas oriundas da limpeza do jardim. E lá, decidiram que celebrariam a solidão do casal com as pessoas invisíveis....
Era dia 24. Voltaram do mercado com dezenas de pacotes de macarrões sem ovos, (parafuso, que é mais fácil de comer) temperos, óleo e sal. Lúcio deixou Julia em casa, esvaziou a sacola e correu para pegar o fim da feira. Conseguiu cerca de seis quilos de tomate quase bons, por R$ 3,00. Tomates que seriam dispensados por caírem no chão, ou por terem sido amassados pelas mãos apressadas e rígidas de D. Maria. Tomates tão maduros, de vermelhos surpreendentes, pesados de tanto suco.
Julia bateu os tomates com sal, azeite e um copo de vinho. Acrescentou água para render. No antigo caldeirão, até então inutilizável desde que pertencera a numerosa família de Lúcio, ferveram água para coser toda aquela massa.
Às 20h abriram as portas da garagem vazia, só ocupada por duas bicicletas e vasos vazios, e posicionaram duas mesas na entrada. No caldeirão, a massa já com um fervente molho de tomate e folhas de manjericão espalharam seu aroma competindo com o cheiro de urina das calçadas. A batalha convidou homens e mulheres de rostos comuns, a perguntarem o que era aquilo tudo. Julia serviu um prato e ofereceu ao senhor de barbas brancas, unhas longas e grossas, que sorriu com poucos dentes.
- Pra mim?
Como comeu. Em alguns minutos a porta de Julia e Lúcio estava lotada de pessoas. Já não era o cheiro do molho que prevalecia, nem o sentimento de caridade. O odor de suor e urina ilustravam as conversas honestas e o sorriso sem graça do...:
- Acabou!
Nem por isso as pessoas sumiram. Julia e Lúcio sentaram na calçada e ouviram histórias comoventes. Pouco importava o que era verdade. Aquele momento era tudo real. De famílias ricas e homens perdido, da maldita da cachaça ao veneno confortável do crack, todos ali tinham suas histórias e a necessidade de compartilhar, de se sentir vivo.
Julia chorou de um lado, abraçando a mulher sem nome, cuja maça do rosto estava roxa. Lúcio ria com Sebastião, sábio nordestino que se recusava a voltar pra família humilhado pela metrópole. E entre momentos, ambos conheceram Rodrigo. Menino caiçara, de 23 anos e pele marcada. Olhos cansados de uma vida longa, de estradas solitárias. Rodrigo falava abertamente sobre seu consumo de pedra e a maldição de sua existência. De fala firme e voz rouca, se deixava enfurecer com qualquer piada ou ações desagradáveis de outros bêbados que dividiam a mesma situação de rua. Falava de Deus como se o conhecesse de perto, e sabia que "o retorno de Jesus está próximo". Exibia tamanha segurança, acreditando que tudo não passava de momentos. Momentos egoístas de pessoas do bem ou momentos bons de pessoas egoístas. Tudo fazia sentido em seu discurso, mas dividiu com o casal o peso da solidão:
- Na rua tem todo mundo. Todo mundo se conhece e pá. Mas é na hora de dormir que bate a solidão, ta ligado?!! Cara... é muito foda tá sozinho. Nem é o frio que pega, ou os bicho, a polícia, ta ligado?! É o receio de acordar sozinho de novo. Comê?... bom ou ruim nóis come, agora tê alguém assim, pra conversa mesmo, e um carinho e pá... é embaçado. - Sorrindo, sem jeito.
Rodrigou disse ao casal, que eles não faziam ideia do que era abrir os portões daquele jeito e ouvir as pessoas. Disse com certeza, de que, na maioria das vezes, mais do que comida e roupa, eles precisam mesmo é de ouvidos. Lembrar de quem são, perceber que estão vivos. Rodrigo confessou, já quando os fogos começaram e poucos restaram, que nem havia vontade de fumar a pedra que guardara para o "momento de Jesus". Eram quase 23h.
- É... agora é que as famílias troca os presente e tal. Dá abraço e senta pra comê. Daí eu já preparo minha pedra e vou de encontro com meu Salvador, ta ligado?!! É no colo Dele, estas hora, que dá pra segurar.
Passaram aquela meia noite juntos, os três. Com alguns cães que apareceram assustados pelas bombas, estavam em seis, sete. Rodrigo conhecia todos. Ou os nomeava assim que se aproximavam. Até que a noite silenciou. Rodrigo se despediu, agradeceu novamente e encheu o casal de palavras benditas. Seguiu, com quatro cães o seguindo. Julia e Lúcio entraram com dois dos cães que ficaram. Serviu-lhes água, comida e cobertor. Quase embriagados e em silêncio, deitaram sem trocar uma palavra.
Na manhã seguinte, os cães era o assunto. Xixi aqui, cocô ali, pêlos no ar e rabos abanadores. Julia e Lúcio reconheciam nos latidos a alegria de uma família. Decidiram ficar com o casal. Gárgula e Mandrágora.
Durante o café, Julia quebrou um silêncio cumprido compartilhando alguma fala de Rodrigo. Lúcio sorriu e confessou que não tirara o garoto da cabeça pela noite inteira. Julia apertou os olhos, num foco distante.
- Eu também não...
A semana passou e só dia 31 Julia parou. Gostaria de descansar para que pudessem festejar a noite. Aproveitar um ao outro, os cães, a casa, as flores...
- Podemos chamar alguns amigos.
- Todo mundo viajando...
...
- Vamos chamar o Rodrigo?
Silêncio.
- Será?
- Só ele. Vê se ele quer tomar um banho, comer na mesa....
- Tomar um vinho. Ficar mais de boa?!
- É. De repente ele nem fuma, de novo.
- Pois é... Será?
Lúcio correu pra sacada. Julia ficou pensativa.
- Ele ta por aí?
- Tá nada...
Julia levantou, amarrou o cabelo, pegou a bolsa.
- Vamos procurá-lo!!
Julia e Lúcio andaram pelos quarteirões vazios. Ouvia-se o vento. Conversaram sobre o que de tão especial sentiram com Rodrigo. Lembraram das outras pessoas, uns mais marcantes, outros tímidos, mas Rodrigo... O que havia naqueles olhos pequenos que se mantinha vivo no casal?
Julia e Lúcio passaram o réveillon sozinhos, e sob o efeito do vinho, conversaram honestamente sobre a vida e sobre Rodrigo. Estavam apaixonados. E inutilmente tentavam esclarecer que tipo de paixão era aquela. Necessidade patética comum às mesmices das relações sociais. Logo sacaram no outro que nada daquilo era necessário. Não importava o nome que se dava aquilo ou onde guardariam a ideia de uma nova relação com Rodrigo. Julia e Lúcio queriam mais daquele rapaz em suas vidas. Ninguém sabia como, nem porque. E isso não importava.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
As pessoas têm medo do Amor
As pessoas morrem. As pessoas são presas. As crianças são violentadas. As crianças são abrigadas. Os jovens vão pras ruas. Os adultos pagam contas. Sentem saudades da infância porque ser adulto aqui é uma droga. As crianças querem crescer porque ser criança aqui é uma droga. As pessoas querem dinheiro. As pessoas não se importam. A vida é difícil. O emprego é escasso e a rotina é um saco. Os animais são explorados. A mulher não manda no corpo. Os negros ainda são escravos. Os brancos são gordos. O dinheiro é importante. A escola é cadeia, o emprego é cadeia, na liberdade é cadeia. E a cadeia é a retirada estúpida de pessoas que são violadas e violam porque o dinheiro importa. As pessoas não sabem quem são, do que gostam, o que sonham. Querem dinheiro para viver. Viver é caro. As contas chegam errado, mas as pessoas pagam certo. A comida é envenenada, mas as pessoas comem o certo. A organização política democrática não funciona, mas as pessoas votam certo. A vida tá um saco, mas as pessoas insistem em viver certo. Odiando umas as outras, fingem que amam para ver se cura a doença cotidiana. Mas na verdade, sinto muito, as pessoas têm medo do amor. Porque o amor faz este controle perder o sentido e abre os braços à indignação. Não é possível uma vida medíocre (no sentido de comum) com a indignação abraçando o amor.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
sem título
As crianças já não sonham
A sombra já não basta
O tempo não dá tempo
Pra vida que desgasta
Os animais tão escassos
Que viram espetáculos
Se presos, afortunados (?)
Se livres ameaçados
A violência é tão rotina...
Vem do peso da batina,
Da ordem da botina,
É diferente se é menina.
Menina não revista!
Segue as dicas da revista
Tem sua moral vista
Pelas roupa que se vista.
De for pra dentro
Se define o momento
Se é Maria, se é Pedro,
A partir do julgamento.
A sombra já não basta
O tempo não dá tempo
Pra vida que desgasta
Os animais tão escassos
Que viram espetáculos
Se presos, afortunados (?)
Se livres ameaçados
A violência é tão rotina...
Vem do peso da batina,
Da ordem da botina,
É diferente se é menina.
Menina não revista!
Segue as dicas da revista
Tem sua moral vista
Pelas roupa que se vista.
De for pra dentro
Se define o momento
Se é Maria, se é Pedro,
A partir do julgamento.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
As pontes entre uma palavra e outra, tornam-me o que sou.
Eu era relativamente pequena, quando a realidade dos animais explorados pela nossa espécie me chocou. Eu sempre gostei de bichos, e quando entendi a situação não consegui diferenciar porcos, galinhas, vacas e bois de cães e gatos. O que na minha cabeça é tão lógico, foi e ainda é, um choque pra sociedade. Depois de um tempo, consegui entender que não haveria mudanças significativas na vidas destes animais, se o ser humano não passasse por transformações emancipatórias. Percebi em mim a desconstrução que a arte proporciona, ampliando o sentimento empático ao assumir a visão e o lugar do outro, comumente julgado. Na educação informal, conheci outro mundo inaceitável onde seres humanos mal conseguem se enxergar como sujeitos, e para que eles pudessem considerar as demais espécies, era necessário que eles pudessem se enxergar como uma especie também digna de ação e respeito.
A violação direta na vida de milhares de seres é tão comum, está tão naturalizada, que é necessário tempo, estudo e paciência para fazer com que os demais possam se comover com a desgraça óbvia. O que tanto cega? Percebi então que não haveria olhares empáticos para os outros, humanos ou não, enquanto cada indivíduo passar por necessidades. Quando olhei ao redor, percebi que há todo um esforço para que nunca deixemos de sentir necessidades, e quando as básicas estão supridas, o foco torna-se questões obsoletas. Então, "preciso" trocar de carro, não "chega" em mim a desgraça, sangue e dor dos que nem pensam num carro. E quando chega, soa tão distante... ah, eu não posso fazer nada! Todos ao meu redor pensam em carros, relógios, casas e viagens.
Vivemos em mundos paralelos, onde as pessoas se encontram de acordo com os valores que lhe são sagrados, e se esbarram quando opostos. No meio disso tudo, ainda insisto em saber de mim. Quem sou e quem me formo, o tempo todo. O que em mim cai, o que nasce, o que eu quebro, o que me arrancam. Olhei pro passado e (re)descobri, descolando o que a escola me impregnou, que já havia brasileiros antes dos portugueses. Encontro em minha indignação o espaço sagrado dos índios violados, mutilados desde sempre até sua escassa e árdua existência dos dias de hoje. E segui parada feito criança abobada, olhando um mundo de violações, onde mulheres, negros, índios, crianças, homens, porcos, galinhas, cachorros, coelhos, macacos, pássaros... Todos são tão impedidos de viver! Por quem??? Por que?? Unam-se os violados diretos, somos tão maioria encoleirados por poucos brancos, cegos, gordos!!
Se nada, na vida do outro, não te dói, não te incomoda, não te quebra um teco, não sou eu que vou insistir em abrir sua alma. A minha já anda tão exposta e me soa egoísta quando penso em fechá-la. Não quero mais explicar porque optei por dar aula num país onde o professor apanha da polícia e tem salário de fome. Não quero mais explicar porque não como, não visto e não uso animais. Não quero mais fazer entender porque a violação de um ser me incomoda, e nem porque consigo compreender quando os violados começam a violar. Não acho mais palavras para o que me é tão óbvio. A situação não exige mais explicação, implora um olhar. Implora um respirar profundo em silêncio, implora olhos nos olhos.
E hoje, neste momento sou (humana, mulher, adulta) educadora social, artista, feminista, anarquista, vegana! São os rótulos que resumem todo este texto, e com o esforço da construções de pontes entre uma palavra e outra, me faz quem sou.
A violação direta na vida de milhares de seres é tão comum, está tão naturalizada, que é necessário tempo, estudo e paciência para fazer com que os demais possam se comover com a desgraça óbvia. O que tanto cega? Percebi então que não haveria olhares empáticos para os outros, humanos ou não, enquanto cada indivíduo passar por necessidades. Quando olhei ao redor, percebi que há todo um esforço para que nunca deixemos de sentir necessidades, e quando as básicas estão supridas, o foco torna-se questões obsoletas. Então, "preciso" trocar de carro, não "chega" em mim a desgraça, sangue e dor dos que nem pensam num carro. E quando chega, soa tão distante... ah, eu não posso fazer nada! Todos ao meu redor pensam em carros, relógios, casas e viagens.
Vivemos em mundos paralelos, onde as pessoas se encontram de acordo com os valores que lhe são sagrados, e se esbarram quando opostos. No meio disso tudo, ainda insisto em saber de mim. Quem sou e quem me formo, o tempo todo. O que em mim cai, o que nasce, o que eu quebro, o que me arrancam. Olhei pro passado e (re)descobri, descolando o que a escola me impregnou, que já havia brasileiros antes dos portugueses. Encontro em minha indignação o espaço sagrado dos índios violados, mutilados desde sempre até sua escassa e árdua existência dos dias de hoje. E segui parada feito criança abobada, olhando um mundo de violações, onde mulheres, negros, índios, crianças, homens, porcos, galinhas, cachorros, coelhos, macacos, pássaros... Todos são tão impedidos de viver! Por quem??? Por que?? Unam-se os violados diretos, somos tão maioria encoleirados por poucos brancos, cegos, gordos!!
Se nada, na vida do outro, não te dói, não te incomoda, não te quebra um teco, não sou eu que vou insistir em abrir sua alma. A minha já anda tão exposta e me soa egoísta quando penso em fechá-la. Não quero mais explicar porque optei por dar aula num país onde o professor apanha da polícia e tem salário de fome. Não quero mais explicar porque não como, não visto e não uso animais. Não quero mais fazer entender porque a violação de um ser me incomoda, e nem porque consigo compreender quando os violados começam a violar. Não acho mais palavras para o que me é tão óbvio. A situação não exige mais explicação, implora um olhar. Implora um respirar profundo em silêncio, implora olhos nos olhos.
E hoje, neste momento sou (humana, mulher, adulta) educadora social, artista, feminista, anarquista, vegana! São os rótulos que resumem todo este texto, e com o esforço da construções de pontes entre uma palavra e outra, me faz quem sou.
domingo, 13 de outubro de 2013
A Rua
A rua:
Lugar público, que permite manifestações de alegria, de revolta, de indignação, de amor. Lugar de trânsito de pessoas, de carros, de pombos sem cor... Lugar que abriga atrações artísticas, lojas e barracas, árvores frutíferas, sorrisos e rancor.
Palco de resistentes, cama de sobreviventes.
Sem cortina ou teto, vidas vividas sem olhares ou afetos.
Sem tapete pra esconder, sem mesa pra comer, sem sofá pra se deitar, sem privada pra mijar. Sobrevivem livres no mundo que engole inteiro, o indivíduo imundo e prisioneiro.
Aproximo meu olhar e meu olfato aos sujeitos que a vida só deixou relatos.
A resistência e adaptação, me soam inatos à situação. Mas o descaso e o desdém, me transparecem a distância daqueles de bem, que são os que tem.
Meu medo me abraça ao encarar a realidade do outro.
Encaro a noite na praça, sem saber quem é vivo quem é morto.
Meu futuro me cochicha a possibilidade da rua
Da rua como sobra abrigando o meu resto
Do sistema que cuspiu o que à ele já não presto.
Meu futuro me assombra como boca muda
Muda o presente sem medo de regresso
Compra o trabalho, me cala o pretexto
Garantia de espaço, ao mundo não pertenço.
Lugar público, que permite manifestações de alegria, de revolta, de indignação, de amor. Lugar de trânsito de pessoas, de carros, de pombos sem cor... Lugar que abriga atrações artísticas, lojas e barracas, árvores frutíferas, sorrisos e rancor.
Palco de resistentes, cama de sobreviventes.
Sem cortina ou teto, vidas vividas sem olhares ou afetos.
Sem tapete pra esconder, sem mesa pra comer, sem sofá pra se deitar, sem privada pra mijar. Sobrevivem livres no mundo que engole inteiro, o indivíduo imundo e prisioneiro.
Aproximo meu olhar e meu olfato aos sujeitos que a vida só deixou relatos.
A resistência e adaptação, me soam inatos à situação. Mas o descaso e o desdém, me transparecem a distância daqueles de bem, que são os que tem.
Meu medo me abraça ao encarar a realidade do outro.
Encaro a noite na praça, sem saber quem é vivo quem é morto.
Meu futuro me cochicha a possibilidade da rua
Da rua como sobra abrigando o meu resto
Do sistema que cuspiu o que à ele já não presto.
Meu futuro me assombra como boca muda
Muda o presente sem medo de regresso
Compra o trabalho, me cala o pretexto
Garantia de espaço, ao mundo não pertenço.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Ao tempo deixado em mim com a ausência
de palavras suficientemente complexas, que esbarrasse na imensidão de achismos e sentimentos, num conflito
vagaroso sobre o lugar do outro em mim. As escolhas entre os meios de
manifestações têm mostrado opiniões de aço, porém ocas. Rostos belos e almas
loucas. A insanidade, quando não vista de frente, descaracteriza o individuo,
transformando-o em sujeito passivo, empurrado pela maré, com discurso pomposo,
como se acima da ralé.
Meu desgosto pela desgraça,
mentira, hipocrisia esgana minha necessidade de comunicação, de dança e poesia.
A beleza perde o sentido em frente ao desdém e a indiferença. Eu enfeito meu
caminho enquanto alimento minha crença.
Assassinos de animais, escassez
de professor
Os clientes são os pais e a fome
do eleitor
Não importa quem apanha, a polícia
tem razão.
Pois protege só quem ganha, são escravos da ilusão.
Tem a arma na cintura, a farda tão
segura, ainda assim lhes falta o pão.
A lei pertence a quem pertence o
capital, não vem dizer que não.
A justiça lenta, que mata a alma
e envenena, é pra todo resto que ganha mal e engole merda do patrão.
A arte vendida como
entretenimento, respira com inalador entre a população.
Seu mal maior é dinheiro. Anda ferindo por dentro, mais que a poluição.
A doença que vence o ventre, ta exposta
na vitrine.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
infantilizando um simples saber
Seguimos atentos pensando saber
que sabemos o bem pra quem bem entender.
Andamos calados e bem comportados
Aceitando acatados pra se bem conviver.
Fechamos os olhos dormindo acordados
Pra violência no outro não interromper
Nossa vida vendida a preço barato
Que nos obrigaram pra sobreviver.
Garantimos a paz negando aos demais
o direito mais simples. O de se viver!
Viver é acordar, comer e amar
Sem ter preço ou ter hora pra se respeitar.
É entender seu lugar, a empatia guiar
O outro acolher pra se completar
É deixar-se guiar por sorriso e olhar
E não tentar entender, aceitar, explicar
o sofrimento do outro, se justificar.
É tudo tão simples e mais fácil
se ouvirmos a voz do nosso próprio rádio.
Apoia o ouvido sobre seu braço
E respeite aquele que enlaça o abraço.
Receba do corpo a energia do outro
Que traz o sentido mais caro que ouro.
Assim aprendemos que o bem a saber
Nasce do outro e vem de você.
Não se aprende na escola, na rua ou na tv
se nos olhos do outro se negar a ver
que carrega em você a dor que no outro
você finge não ver.
que sabemos o bem pra quem bem entender.
Andamos calados e bem comportados
Aceitando acatados pra se bem conviver.
Fechamos os olhos dormindo acordados
Pra violência no outro não interromper
Nossa vida vendida a preço barato
Que nos obrigaram pra sobreviver.
Garantimos a paz negando aos demais
o direito mais simples. O de se viver!
Viver é acordar, comer e amar
Sem ter preço ou ter hora pra se respeitar.
É entender seu lugar, a empatia guiar
O outro acolher pra se completar
É deixar-se guiar por sorriso e olhar
E não tentar entender, aceitar, explicar
o sofrimento do outro, se justificar.
É tudo tão simples e mais fácil
se ouvirmos a voz do nosso próprio rádio.
Apoia o ouvido sobre seu braço
E respeite aquele que enlaça o abraço.
Receba do corpo a energia do outro
Que traz o sentido mais caro que ouro.
Assim aprendemos que o bem a saber
Nasce do outro e vem de você.
Não se aprende na escola, na rua ou na tv
se nos olhos do outro se negar a ver
que carrega em você a dor que no outro
você finge não ver.
Perguntas sem vírgulas
O que é normal nesta vida de tentativas frustradas de se viver no tempo que vendemos para ter coisas que não teremos tempo de usufruir? Nesta vida onde doamos nossa saúde à produção de bens que não nos pertence? Na tentativa de nos completarmos com bens que não fazem parte das necessidades básicas? As mesmas que atropelamos e fingimos não ser importantes para que possamos nos adaptar às exigências daqueles que compram nosso tempo e se apropriam de nossa saúde para adquirirem meios de inventarem novas necessidades? Ou ainda, as mesmas necessidades que atropelamos pelas faltas de condições básicas de sobrevivência em sociedade, onde insistimos em viver, suportar, aceitar.... Por algum motivo maior que nossa própria limitação física e psicológica?
Como pode ser normal eu estar no conforto do meu sofá, abrigada do frio e da chuva enquanto crianças trabalham 15 horas em fábricas ou morrem de desnutrição? Pensar que há pessoas em SP que morrem de frio, no centro da cidade, e são notadas desfalecidas após dias sob coberturas sutis de qualquer coisa que lhe escondam o corpo, o rosto, o ser que definha na capital mais rica de um dos países mais fartos do mundo, e eu acreditar que a culpa não é minha? Em nada? Não está nos produtos que consumo? No que chamo de comida? No que acredito ser entretenimento? Na minha ausência nas políticas públicas? Que escolha tenho frente ao muro colorido e farto que me tapa a injustiça e me propõe conforto, paz e beleza na próxima compra? E que me garante o direito de ter uma família, casa e filhos sem que me alerte o preço de tal felicidade? E quando me conforto na impossibilidade de mudar o mundo e sigo com minhas escolhas mesquinhas e hipócritas para aliviar a culpa que sinto por ter nascido num esquema pronto de projeções de culpa por meio da palavra de deus? E aceito que os representantes diretos, de deus e do povo, possam gozar de seus bens inúteis enquanto ainda há fome num planeta farto de vida? Que lugar é esse que nos tira qualquer opção de escolha e nos faz acreditar na liberdade de expressão, na democracia, nos direitos de vida e enquanto enxugo gelo acreditando no que o próprio sistema cria para que possamos prosseguir? E eu me perco em palavras, sentimentos e tento focar meu trabalho onde vejo possibilidades de mudança, enquanto a internet pulveriza minha indignação em palavras soltas num universo fictício que move este jogo perverso de crenças manipuladas, frias e sanguinárias movido por pessoas preocupadas com seus próximos status, carros, namoros e bens...?
Como pode ser normal eu estar no conforto do meu sofá, abrigada do frio e da chuva enquanto crianças trabalham 15 horas em fábricas ou morrem de desnutrição? Pensar que há pessoas em SP que morrem de frio, no centro da cidade, e são notadas desfalecidas após dias sob coberturas sutis de qualquer coisa que lhe escondam o corpo, o rosto, o ser que definha na capital mais rica de um dos países mais fartos do mundo, e eu acreditar que a culpa não é minha? Em nada? Não está nos produtos que consumo? No que chamo de comida? No que acredito ser entretenimento? Na minha ausência nas políticas públicas? Que escolha tenho frente ao muro colorido e farto que me tapa a injustiça e me propõe conforto, paz e beleza na próxima compra? E que me garante o direito de ter uma família, casa e filhos sem que me alerte o preço de tal felicidade? E quando me conforto na impossibilidade de mudar o mundo e sigo com minhas escolhas mesquinhas e hipócritas para aliviar a culpa que sinto por ter nascido num esquema pronto de projeções de culpa por meio da palavra de deus? E aceito que os representantes diretos, de deus e do povo, possam gozar de seus bens inúteis enquanto ainda há fome num planeta farto de vida? Que lugar é esse que nos tira qualquer opção de escolha e nos faz acreditar na liberdade de expressão, na democracia, nos direitos de vida e enquanto enxugo gelo acreditando no que o próprio sistema cria para que possamos prosseguir? E eu me perco em palavras, sentimentos e tento focar meu trabalho onde vejo possibilidades de mudança, enquanto a internet pulveriza minha indignação em palavras soltas num universo fictício que move este jogo perverso de crenças manipuladas, frias e sanguinárias movido por pessoas preocupadas com seus próximos status, carros, namoros e bens...?
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
MERCADORIA
MERCADORIA.
merda de dor
mercado que ria
enquanto me consumia.
Produto que comia
projeto que vendia
programa de mentira
formando gente,
gente mercadoria.
Achando que valia...
Gerente de fábrica
De coisas, de caca
Quanto mais, mais valia
Caçando tempo
No tempo que falta
Pra lembrar de uma vida
Antes de ser mercadoria.
merda de dor
mercado que ria
enquanto me consumia.
Produto que comia
projeto que vendia
programa de mentira
formando gente,
gente mercadoria.
Achando que valia...
Gerente de fábrica
De coisas, de caca
Quanto mais, mais valia
Caçando tempo
No tempo que falta
Pra lembrar de uma vida
Antes de ser mercadoria.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Nada faz sentido mesmo...
Quando enxerguei que nada mais faz sentido, senti-me na pele de um suicida, que opta pelo desconhecido ao buscar forças para insistir por aqui.
Na minha visão, não refiro-me à morte, pois meu maior sonho é vê-la me procurar, e me encontrar aguardando-a com um sorriso honesto e reticente. Refiro-me ao tentar VIVER num esquema imposto para sobreviver.
Vivemos uma vida medíocre, em conta gotas, tentando adquirir bens inúteis que nos fazem mais felizes aos olhos alheios. Nos criam necessidades inventadas e nos dificultam o saber natural de viver em harmonia com a terra. Vendemos nosso tempo à empresas privadas ou órgãos públicos a fim de que estes paguem bem pelo nosso preciso espaço de tempo, pois nós não sabemos o que fazer com ele. Mas sabemos o tanto de coisa que se pode fazer com o papel que se paga.
Aprendemos que lei da sobrevivência é estruturada por desdém e desrespeito. E não devemos perder nosso tempo questionando tais bases, pois não há quem pague por isso. As coisas são assim, e devemos aceitar.
Somos igualmente desrespeitados pelo poder público, que administra nosso dinheiro desviando de seus fins, que seriam para pagar as condições básicas de uma vida, digamos, digna. Mas me deparo com televisões nos ônibus, que ofertam horóscopos, produtos industrializados e informações de "cidadania" como receitas ou "não coma gorduras" logo depois de um comercial de maionese. Enquanto ao lado, um senhor de barba branca passa por baixo da catraca. A catraca que tem seu corpo de ferro, quase até o chão para que dificulte ou impeça as pessoas de não pagarem.
Nosso ilusório direito de ir e vir, tem um preço. Logo ele está atrelado no "direito"/ DEVER de se ter dinheiro. Para se ter dinheiro, você aceita o que te ofertam, pois a demanda por conseguir qualquer dinheiro é imensa. Nossos direitos à alimentação, moradia, saúde, educação velam sob as mesmas rédeas. É o direito natural do TER. Eu não entendo bem, o que dificulta minha vida por aqui...
As que mais ofertam possibilidades de se ganhar qualquer dinheiro, são as empresas privadas. Que levantam milhões em alguns anos e repartem este dinheiro entre propagandas e chefões da coisa. Com os empregados, fica o minimo que o poder público obrigada a pagar, sob várias regras e papeis estúpidos que nos desencorajam a perguntar ou querer entender. As empresas privadas oferecem, em sua grande maioria, coisas que não precisamos. Mas lembra aquele dinheiro em propaganda? É para que eles nos convençam a precisar do produto. E eles convencem!! Daí a agente aceita ser empregado de uma empresa de merda, que trata mal os consumidores E os empregados, para ter dinheiro para pagar o governo e torce para uma sobra comprar um produto que não precisamos, mas achamos que sim.
O capitalismo nos cerca de opções para que acreditemos na liberdade de escolha. E nos impede, aterrorizando qualquer pensamento, de imaginar como seria uma vida social fora deste esquema. As pessoas não pensam nisso e não acreditam ser possível. E eu, penso, qual o preço que pagamos com nossa saúde e nossos nervos por um conforto inútil, fictício, inventado?
Aí vem um feliz empregado e consumidor me questionar: Se sou contra o capitalismo, porque tenho computador, internet e celular?. E eu, respiro em 10 longos segundos, que me fazem pensar que ele não pode ser capaz de entender. Porque tudo faz sentido para um parafuso que roda feliz vendo a máquina funcionar, e sabendo ele que faz parte desta força... É muito prazer! Difícil é para que não quer brincar de ser parafuso. Ou pra quem não consegue entrar e ser parafuso, nem porca, nem mola, nem graxa...
O que me é claro é que sou NATURALMENTE CONTRA O SISTEMA CAPITALISTA. Disso eu tenho certeza, por que a agressão é de fora pra dentro e a indignação me bomba de dentro pra fora . Porque eu não consigo aceitar o descaso com a vida por preço nenhum. Porque eu não durmo em paz quando me deparo com violências absurdas sofridas por quem não tem acúmulo de dinheiro. Porque eu não aceito ser desrespeitada por uma ordem que não educa, adestra. Que não convida, impõe. Que não abraça, sufoca. Que não pergunta, cala.
Eu não aceito ter que vomitar meu ódio em pessoas que sofre o mesmo descaso, só porque não tem com quem reclamar. Porque o "dono" nunca está presente. Ele paga alguém pra comer a merda! Eu não aceito que sejamos obrigados a comer esta merda porque se paga um dinheiro e então conseguimos comprar feijão pra pôr em casa. Pra alimentar, com sorte, futuros parafusos ou novos comedores de merda.
Eu não acho normal ver vidas jogadas a própria sorte numa floresta de concreto que envenena a comida que a terra dá. Eu não acho justo termos riquezas materiais imposta sobre a pobreza, a desgraça da humanidade.
Fingirmos ser o que? Se animal já soa vida inferior. O que pensamos ser?
Minha utopia em ver este sistema se engolir está estruturada pela palavra "ainda". É uma questão de tempo.
A utopia que o sistema alimenta para continuar devorando vidas, se sustenta com a palavra mágica: Deus.
Lembra que deus olha, culpa, pune, cuida
Aproxima a dor, a doença e a pobreza
Que bem vista aos olhos de deus, te compensa
Não pergunta, não luta, não resiste
Pois há no céu um senhor de barba que te assiste
Goza de tua dor, e com misericórdia
Te julgará após sua morte proclamando concórdia.
Na minha visão, não refiro-me à morte, pois meu maior sonho é vê-la me procurar, e me encontrar aguardando-a com um sorriso honesto e reticente. Refiro-me ao tentar VIVER num esquema imposto para sobreviver.
Vivemos uma vida medíocre, em conta gotas, tentando adquirir bens inúteis que nos fazem mais felizes aos olhos alheios. Nos criam necessidades inventadas e nos dificultam o saber natural de viver em harmonia com a terra. Vendemos nosso tempo à empresas privadas ou órgãos públicos a fim de que estes paguem bem pelo nosso preciso espaço de tempo, pois nós não sabemos o que fazer com ele. Mas sabemos o tanto de coisa que se pode fazer com o papel que se paga.
Aprendemos que lei da sobrevivência é estruturada por desdém e desrespeito. E não devemos perder nosso tempo questionando tais bases, pois não há quem pague por isso. As coisas são assim, e devemos aceitar.
Somos igualmente desrespeitados pelo poder público, que administra nosso dinheiro desviando de seus fins, que seriam para pagar as condições básicas de uma vida, digamos, digna. Mas me deparo com televisões nos ônibus, que ofertam horóscopos, produtos industrializados e informações de "cidadania" como receitas ou "não coma gorduras" logo depois de um comercial de maionese. Enquanto ao lado, um senhor de barba branca passa por baixo da catraca. A catraca que tem seu corpo de ferro, quase até o chão para que dificulte ou impeça as pessoas de não pagarem.
Nosso ilusório direito de ir e vir, tem um preço. Logo ele está atrelado no "direito"/ DEVER de se ter dinheiro. Para se ter dinheiro, você aceita o que te ofertam, pois a demanda por conseguir qualquer dinheiro é imensa. Nossos direitos à alimentação, moradia, saúde, educação velam sob as mesmas rédeas. É o direito natural do TER. Eu não entendo bem, o que dificulta minha vida por aqui...
As que mais ofertam possibilidades de se ganhar qualquer dinheiro, são as empresas privadas. Que levantam milhões em alguns anos e repartem este dinheiro entre propagandas e chefões da coisa. Com os empregados, fica o minimo que o poder público obrigada a pagar, sob várias regras e papeis estúpidos que nos desencorajam a perguntar ou querer entender. As empresas privadas oferecem, em sua grande maioria, coisas que não precisamos. Mas lembra aquele dinheiro em propaganda? É para que eles nos convençam a precisar do produto. E eles convencem!! Daí a agente aceita ser empregado de uma empresa de merda, que trata mal os consumidores E os empregados, para ter dinheiro para pagar o governo e torce para uma sobra comprar um produto que não precisamos, mas achamos que sim.
O capitalismo nos cerca de opções para que acreditemos na liberdade de escolha. E nos impede, aterrorizando qualquer pensamento, de imaginar como seria uma vida social fora deste esquema. As pessoas não pensam nisso e não acreditam ser possível. E eu, penso, qual o preço que pagamos com nossa saúde e nossos nervos por um conforto inútil, fictício, inventado?
Aí vem um feliz empregado e consumidor me questionar: Se sou contra o capitalismo, porque tenho computador, internet e celular?. E eu, respiro em 10 longos segundos, que me fazem pensar que ele não pode ser capaz de entender. Porque tudo faz sentido para um parafuso que roda feliz vendo a máquina funcionar, e sabendo ele que faz parte desta força... É muito prazer! Difícil é para que não quer brincar de ser parafuso. Ou pra quem não consegue entrar e ser parafuso, nem porca, nem mola, nem graxa...
O que me é claro é que sou NATURALMENTE CONTRA O SISTEMA CAPITALISTA. Disso eu tenho certeza, por que a agressão é de fora pra dentro e a indignação me bomba de dentro pra fora . Porque eu não consigo aceitar o descaso com a vida por preço nenhum. Porque eu não durmo em paz quando me deparo com violências absurdas sofridas por quem não tem acúmulo de dinheiro. Porque eu não aceito ser desrespeitada por uma ordem que não educa, adestra. Que não convida, impõe. Que não abraça, sufoca. Que não pergunta, cala.
Eu não aceito ter que vomitar meu ódio em pessoas que sofre o mesmo descaso, só porque não tem com quem reclamar. Porque o "dono" nunca está presente. Ele paga alguém pra comer a merda! Eu não aceito que sejamos obrigados a comer esta merda porque se paga um dinheiro e então conseguimos comprar feijão pra pôr em casa. Pra alimentar, com sorte, futuros parafusos ou novos comedores de merda.
Eu não acho normal ver vidas jogadas a própria sorte numa floresta de concreto que envenena a comida que a terra dá. Eu não acho justo termos riquezas materiais imposta sobre a pobreza, a desgraça da humanidade.
Fingirmos ser o que? Se animal já soa vida inferior. O que pensamos ser?
Minha utopia em ver este sistema se engolir está estruturada pela palavra "ainda". É uma questão de tempo.
A utopia que o sistema alimenta para continuar devorando vidas, se sustenta com a palavra mágica: Deus.
Lembra que deus olha, culpa, pune, cuida
Aproxima a dor, a doença e a pobreza
Que bem vista aos olhos de deus, te compensa
Não pergunta, não luta, não resiste
Pois há no céu um senhor de barba que te assiste
Goza de tua dor, e com misericórdia
Te julgará após sua morte proclamando concórdia.
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