Há presos nas celas, nas salas, nos trens.
Há presos no tempo, no medo, nos bens.
Há presos em sentimentos, algemas, medalhas.
Há presos no sonho, nos risos, nas lágrimas.
Presos em empregos, rotinas, manias.
Presos à família, tradição, apatia.
Presos perdidos que seguem e fogem,
Presos focados que chegam e morrem.
Presos na vida por medo da morte.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Penso...
Penso se controlamos o externo para que não tenhamos a consciência de que o interno não nos pertence.
Penso se criamos objetivos para não nos perdemos no infinito subjetivo que nos transita.
Penso se as regras não são apenas a mordaça na liberdade sem conceito que nos define.
Penso se os jogos sociais não são estabelecidos para que não lembremos que a solidão é nosso cerne.
Penso se não pensamos tanto apenas para calar nossos instintos.
Penso se criamos objetivos para não nos perdemos no infinito subjetivo que nos transita.
Penso se as regras não são apenas a mordaça na liberdade sem conceito que nos define.
Penso se os jogos sociais não são estabelecidos para que não lembremos que a solidão é nosso cerne.
Penso se não pensamos tanto apenas para calar nossos instintos.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Virá!!
Virá uma geração de comunistas e anarquistas que resistirão aos impulsos sociais de instituir família sob uma relação monogâmica;
Virá uma geração que buscará a revolução dentro de sua própria realidade, buscando reestruturar as relações familiares a partir da empatia e da alteridade, como se deve ter com qualquer outro ser vivo;
Virá uma geração que entenderá que deus está nas manifestações do oprimido, no silêncio dos assassinados, e que paga penitência sob os chicotes de quem tem fé;
Virá uma geração filha da alienação e do egoísmo, que não mais acreditará no amor instantâneo, genético, de rótulos, produto pronto;
Virá uma geração que compreenderá a importância do outro na preservação da vida, do riso, do prazer e assim, conhecerá o amor e a liberdade;
Virá uma geração que entenderá a dor como passagem e como alarme para compreensões maiores, e anulará assim o sofrimento;
Virá uma geração que só conseguirá usufruir do trabalho presente, de produções compostas por seu próprio sangue e suor, negando produtos cujo trabalho não se viveu;
Virá uma geração que descobrirá o prazer ao calar o individualismo;
Virá uma geração que viverá a diversidade como cultura e o compartilhar como sociedade;
Virá uma geração que aceitará como teto apenas as estrelas e como alimento apenas o que brota;
Virá uma geração que louvará mais a terra que o céu, mais a vida que os santos;
Virá!
Virá uma geração que buscará a revolução dentro de sua própria realidade, buscando reestruturar as relações familiares a partir da empatia e da alteridade, como se deve ter com qualquer outro ser vivo;
Virá uma geração que entenderá que deus está nas manifestações do oprimido, no silêncio dos assassinados, e que paga penitência sob os chicotes de quem tem fé;
Virá uma geração filha da alienação e do egoísmo, que não mais acreditará no amor instantâneo, genético, de rótulos, produto pronto;
Virá uma geração que compreenderá a importância do outro na preservação da vida, do riso, do prazer e assim, conhecerá o amor e a liberdade;
Virá uma geração que entenderá a dor como passagem e como alarme para compreensões maiores, e anulará assim o sofrimento;
Virá uma geração que só conseguirá usufruir do trabalho presente, de produções compostas por seu próprio sangue e suor, negando produtos cujo trabalho não se viveu;
Virá uma geração que descobrirá o prazer ao calar o individualismo;
Virá uma geração que viverá a diversidade como cultura e o compartilhar como sociedade;
Virá uma geração que aceitará como teto apenas as estrelas e como alimento apenas o que brota;
Virá uma geração que louvará mais a terra que o céu, mais a vida que os santos;
Virá!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Água Corrente
Seu olhar
apaixonado buscava o céu e se deparava com concretos cinzas, de uma imensidão
material que condena, sem disfarces, qualquer relação com o subjetivo. Ainda
assim, era possível sorrir. O que lhe tomava por dentro foi construído com
aquele olhar vivo e negro em meio aos zumbis programados das metrópoles; aquela
leitura ousada ao pé do ouvido, mesclada ainda, em outro espaço de tempo, com
alguma reza cabocla cuja sonoridade lhe fazia contorcer as pernas, mesmo sem
entender o significado das palavras. Aquelas vogais na voz rouca... E a barba.
As barbas que já lhe roçaram o rosto, num misto de cócegas e prazer, que faziam
um riso contido se perder num gemido solto... Sons agudos que lhe traziam à
mente as peles finas dos pescoços femininos que seus lábios já tocaram.
Com as mãos plenas
de sabão, se percebera apaixonada pela vida que lhe encontrava. Que lhe
confrontava nos caminhos cotidianos quando as coisas pareciam perder o sentido.
Lá estava a vida, com todo seu ar que envolve e abraça o corpo que se entende
sem rumo, apoiado nas razões alheias, empurrado pelas urgências terceiras.
Sentia que seu valor de vida estava nas manifestações das vidas que
mostravam-se únicas, quando enxergavam-se ímpares frente ao todo. Excitava a
percepção do outro se perceber único entre sete bilhões de seres humanos. Era
isso que a encantava!
Sorriu de novo ao
lembrar das mãos enrugadas das mulheres grandiosas, que reconheciam em sua mão,
pequena e fina, a ausência do trabalho na terra, da colheita, da enxada. Que
viam em seu corpo a escolha em não ser o corpo dos outros, seja como esposa,
seja como mãe. Olhares fundos cujas cataratas exibiam a força das quedas, das
águas, dos úteros, o sagrado das mulheres. Uma gota de água lhe escapou aos
olhos... Como eram sacras e violadas as vidas das mulheres...
O quanto demora
uma enxurrada, ao debruçar-se na terra seca, árida e morta, para fazer-lhe
brotar de novo? Para curar as rachaduras das exigências, dos maus tratos? Que
se soltem as mulheres! É preciso cachoeiras que hidrate a terra explorada, e só
com esta união haverá sementes e brotos novos... Eis nesta analogia a liberdade
que gozas! Mesmo como um fio de água em queda livre, as pedras, musgos, plantas
e secas que estruturam seu caminho, te fazem água corrente.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
no meu tempo...
Sou do tempo em que...
liberdade não era conceito político.
Era sabedoria popular.
Família não era feita de tradição,
e seu desafio não era aceitar.
O amor vinha antes, e
só se chamava de família,
quando se conseguia aconchegar.
liberdade não era conceito político.
Era sabedoria popular.
Família não era feita de tradição,
e seu desafio não era aceitar.
O amor vinha antes, e
só se chamava de família,
quando se conseguia aconchegar.
Sou do tempo em que...
o futuro não tomava lugar.
Se vivia o presente como um presentear.
Não se pensava em Estado,
Regras de governar.
Não tinha muros, grades ou cercas,
pois tínhamos todos a terra como lar.
o futuro não tomava lugar.
Se vivia o presente como um presentear.
Não se pensava em Estado,
Regras de governar.
Não tinha muros, grades ou cercas,
pois tínhamos todos a terra como lar.
Sou do tempo em que...
as crianças passavam a manhã no pomar.
Trepando em árvores, colhendo frutos,
Enquanto todo mundo adulto
Preparava o vinho pro jantar.
A força de trabalho não era forçada,
era o prazer de colher o que plantar,
de compartilhar vivências, de ter o que trocar.
as crianças passavam a manhã no pomar.
Trepando em árvores, colhendo frutos,
Enquanto todo mundo adulto
Preparava o vinho pro jantar.
A força de trabalho não era forçada,
era o prazer de colher o que plantar,
de compartilhar vivências, de ter o que trocar.
Sou do tempo em que o tempo não tinha importância.
O sono vinha à noite, a chuva aproximava, o sexo celebrava!
Não havia militância, extravagância nem ganância.
Arte, plantas e sonhos era, entre tudo, o que mais brotava.
Nada dividia, separava... as diferenças eram o que apaixonava.
O sono vinha à noite, a chuva aproximava, o sexo celebrava!
Não havia militância, extravagância nem ganância.
Arte, plantas e sonhos era, entre tudo, o que mais brotava.
Nada dividia, separava... as diferenças eram o que apaixonava.
Num lugar ainda perdido, de sonos não dormidos, de desejos reprimidos
Desenvolvem estruturas do que ainda hoje se entende loucura.
Desenvolvem estruturas do que ainda hoje se entende loucura.
sábado, 8 de novembro de 2014
Transição
Descobri, no
afastamento, um mundo barulho.
Reclamações,
sirenes, xingamentos...
Ninguém me parece
feliz dentro do embrulho.
Me afastei, numa
avaliação de mim, no todo, no mundo.
Não empreguei
minha força de trabalho.
Mesmo não vendo a
fuga como atalho.
Esperei meu
instante inteira,
Para voltar e
negar a prateleira.
Corri na chuva,
depois da morte
Me senti molhada,
em competição
Como o que antecede o embrião
Em busca do útero,
esperando o corte.
Foi só uma
sensação...
Entre minha vida e
uma morte
Resumindo a toda
pressão
Do que buscamos
ter suporte.
Bambas estruturas cálidas
Impulsivas, respeitosas...
Frágeis momentos sólidos
Decisivos, prazerosos...
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Não sinto só
Não sinto só... Sinto um acumulado de tudo que me cerca
Sinto expectativas como cercas
Nas quais não me permitem sair do lugar...
Não sinto só! Sinto uma avalanche de realidades
Entre as minhas e as outras
Que me acrescentam entre dor e novidades.
Não sinto, só... somente o que acho que é meu
Mal me percebo em tudo tudo que me faz
Em tudo que nem em mim existe, mas me foi colado.
Não sinto só! Sinto mais um monte
Que me foi arrancado e proporcionado
Tirado e ofertado. Imposto e negado!
Não sinto mais... exceto no que me cobram
Em silêncio ou em contrato
Viver a vida num quadrado
Entre muitos que se desdobram.
Sinto expectativas como cercas
Nas quais não me permitem sair do lugar...
Não sinto só! Sinto uma avalanche de realidades
Entre as minhas e as outras
Que me acrescentam entre dor e novidades.
Não sinto, só... somente o que acho que é meu
Mal me percebo em tudo tudo que me faz
Em tudo que nem em mim existe, mas me foi colado.
Não sinto só! Sinto mais um monte
Que me foi arrancado e proporcionado
Tirado e ofertado. Imposto e negado!
Não sinto mais... exceto no que me cobram
Em silêncio ou em contrato
Viver a vida num quadrado
Entre muitos que se desdobram.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
morte
A morte é o corte.
Deporta, conforta
Embola, consola
Corrompe, interrompe
A morte é o mote
De glosa, de prosa
De grito, de Rosa,
De vida proveitosa.
(ou horrorosa)
A morte é um ode
Afeta, de fato.
Conforta quem parte
No último ato.
A morte é a curva
A passagem que urge
O horizonte que surge
Quando a vida se turva.
Deporta, conforta
Embola, consola
Corrompe, interrompe
A morte é o mote
De glosa, de prosa
De grito, de Rosa,
De vida proveitosa.
(ou horrorosa)
A morte é um ode
Afeta, de fato.
Conforta quem parte
No último ato.
A morte é a curva
A passagem que urge
O horizonte que surge
Quando a vida se turva.
24 de outubro, 2014
Vai fazer 12 horas que este dia começou. Da última semana, foi a quarta ou quinta noite que acordo de hora em hora, e meu chamado me faz pensar nos chamados noite adentro de milhares de outras pessoas. Mães com bebês recém chegados, mães cuj@s filh@s apresentam algum tipo de problema físico, psíquico, mental ou de comportamento. Algumas mães que eu conheço... Quando levanto perto das 4h, penso n@s trabalhador@s que estão saindo de casa... Minha cabeça tenta me confortar frente à minha necessidade de estar em pé, ajudando meu filho canino a se movimentar para beber água, fazer xixi ou mesmo para andar pela casa.
Com muito sono, levantei às 08h e pouco e me apressei para o curso. Momento sagrado de me aproximar de mim mesma. Caminhei pelo parque, entre as mudas de árvores e flores, deitei sobre as raízes grossas de uma árvore velha. As lágrimas vierem como chuva... e eu pude sorrir, com a gratidão de um flor seca.
Caminhei entre as plantações, observando @s trabalhador@s da terra, e abracei uma árvore, sussurrando pela consciência destes homens sobre a sacralidade de seus trabalhos, agradecendo meu privilégio em estar lá. Minutos depois, me sentei entre as flores e conversei com Silvio, que me expressou alegria e gratidão por trabalhar naquele lugar. Lugar de silêncio, de aroma, de respiro: "É o Paraíso, sem Adão, Eva ou a Serpente", disse ele. Ri, e juntos completamos: "Ainda bem!" Falamos n@s trabalhador@s das metalúrgicas, entre outras realidades usurpadoras, e agradecemos juntos, com as mãos na terra e os olhos no céu. Voltei a caminhar, agora voltando ao curso, à dança circular. Quando meu celular me traz a informações que meu filho canino não está bem... Minha bicicleta me fez voar entre tantas cores de flores para que eu pudesse estar aqui, ao lado dele. Niná-lo, acariciá-lo e ouvi-lo chorar... A velhice desencoraja a vida, se o corpo não atende à mente.
Não posso entendê-lo mais do que leio em seus olhos... e não quero precipitar e nem prolongar qualquer tipo de dor. Num dia confuso, a alegria da não rotina, me espreme entre a angústia e a gratidão de estar onde estou, de ser quem eu sou.
Ao tempo, peço que me conduza com paciência e amor à força de ser o que devo ser, e ao olhar que me faça enxergar o que contexto me exigir.
Que assim seja, com gratidão!
Com muito sono, levantei às 08h e pouco e me apressei para o curso. Momento sagrado de me aproximar de mim mesma. Caminhei pelo parque, entre as mudas de árvores e flores, deitei sobre as raízes grossas de uma árvore velha. As lágrimas vierem como chuva... e eu pude sorrir, com a gratidão de um flor seca.
Caminhei entre as plantações, observando @s trabalhador@s da terra, e abracei uma árvore, sussurrando pela consciência destes homens sobre a sacralidade de seus trabalhos, agradecendo meu privilégio em estar lá. Minutos depois, me sentei entre as flores e conversei com Silvio, que me expressou alegria e gratidão por trabalhar naquele lugar. Lugar de silêncio, de aroma, de respiro: "É o Paraíso, sem Adão, Eva ou a Serpente", disse ele. Ri, e juntos completamos: "Ainda bem!" Falamos n@s trabalhador@s das metalúrgicas, entre outras realidades usurpadoras, e agradecemos juntos, com as mãos na terra e os olhos no céu. Voltei a caminhar, agora voltando ao curso, à dança circular. Quando meu celular me traz a informações que meu filho canino não está bem... Minha bicicleta me fez voar entre tantas cores de flores para que eu pudesse estar aqui, ao lado dele. Niná-lo, acariciá-lo e ouvi-lo chorar... A velhice desencoraja a vida, se o corpo não atende à mente.
Não posso entendê-lo mais do que leio em seus olhos... e não quero precipitar e nem prolongar qualquer tipo de dor. Num dia confuso, a alegria da não rotina, me espreme entre a angústia e a gratidão de estar onde estou, de ser quem eu sou.
Ao tempo, peço que me conduza com paciência e amor à força de ser o que devo ser, e ao olhar que me faça enxergar o que contexto me exigir.
Que assim seja, com gratidão!
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Escolhas cotidianas. No capital.
"Quando a fome entra pela porta, a moral sai pela janela"
Cresci ouvindo esta frase, segui mastigando a ideia. Eu nunca passei fome, o que me permitiu questionar a moral que nos faz. Conceitos, ideias e caminhos postos.
Penso que, de maneira geral, a fome deu lugar à outras necessidades criadas pelo modelo econômico e social que nos recebeu, entre a burguesia que nos cerca. Fome de ter mesmo!
Nem de longe, venho questionar a necessidade fisiológica que mata e destrói milhões, quiçá bilhões, de vidas por todo o planeta. Não aqui! Mas refiro-me ao mundo micro que vejo e tateio ao redor. Inserido no mundo macro que se alimenta desta fome fisiológica, a miséria é explorada com sangue nos olhos daqueles que a transforma em capital.
Assim posto, reflito sobre a fome do ter. A fome da segurança, contra medos por todos os lados. E por medo de não ter, de perder, fechamos os olhos aos que não tem, nunca tiveram. Tudo parece distante no aconchego do lar. Não pensamos no trabalho escravo que produz nossos bens, já que este nos vem com muito suor e merecimento. Pois, como acima citado, respondemos ao mundo que vivemos e tateamos, não ao que acessamos esporadicamente.
Há quem se mobilize, num sentimento empático, por meio destes acessos esporádicos, e dentro da própria possibilidade real, faz o que se pode. Principalmente por já estarmos convencidos de que mudar o mundo é coisa de gente utópica, ideológica... insana. Falta pé no chão... ou conta pra pagar!
Estes acessos esporádicos, podem, por escolha, tornarem-se mais frequentes, mais efetivos. E vamos nos alimentando do apreender da história, do contexto. E vamos assim, nos percebendo parte do todo. E enquanto parte do todo, começamos a construir críticas. Criticas seguras, embasada em anos de pesquisa antropológica, sociológica, política.
Assim, com todo acesso e interesse e pesquisa, nos aproximamos da questão social e, muitas vezes, chegamos no questionamento do que nos alimenta. Do que procuramos nos alimentar. Na reflexão de: Temos fome de que?
A resposta é relativa e, muitas vezes incerta. Mas quando ameaçada, buscamos pela segurança de garantir aquilo que nos formamos. E para defender aquilo que nos formamos, com muito esforço, e que nos identificamos, no momento de ameça, a moral e a ética caem facilmente para a teoria.
O exercício de manter-se ético perante ao todo, provoca, quase que naturalmente, um enfrentamento frente ao todo. E em uma escolha que busca a complexa e relativa práxis da ética, só se tem ao lado os que assumem o risco de perder algumas estruturas tidas como básicas. O que nunca fácil, pois nunca uma escolha desta gera consequências só pra quem a fez. Leva tudo e todos ao redor.
Mas a escolha, é sempre do individuo. Pronto ou não para as consequências. E penso que refletir sobre a práxis da ética requer consequências pesadas em escolhas solitárias, numa realidade macro onde a ética é prensada de acordo com a área (comercial, mercantil) que se apropria dela. Num todo que buscará sempre pela relatividade da ética para segurança e garantia de suas fome saciadas.
Cresci ouvindo esta frase, segui mastigando a ideia. Eu nunca passei fome, o que me permitiu questionar a moral que nos faz. Conceitos, ideias e caminhos postos.
Penso que, de maneira geral, a fome deu lugar à outras necessidades criadas pelo modelo econômico e social que nos recebeu, entre a burguesia que nos cerca. Fome de ter mesmo!
Nem de longe, venho questionar a necessidade fisiológica que mata e destrói milhões, quiçá bilhões, de vidas por todo o planeta. Não aqui! Mas refiro-me ao mundo micro que vejo e tateio ao redor. Inserido no mundo macro que se alimenta desta fome fisiológica, a miséria é explorada com sangue nos olhos daqueles que a transforma em capital.
Assim posto, reflito sobre a fome do ter. A fome da segurança, contra medos por todos os lados. E por medo de não ter, de perder, fechamos os olhos aos que não tem, nunca tiveram. Tudo parece distante no aconchego do lar. Não pensamos no trabalho escravo que produz nossos bens, já que este nos vem com muito suor e merecimento. Pois, como acima citado, respondemos ao mundo que vivemos e tateamos, não ao que acessamos esporadicamente.
Há quem se mobilize, num sentimento empático, por meio destes acessos esporádicos, e dentro da própria possibilidade real, faz o que se pode. Principalmente por já estarmos convencidos de que mudar o mundo é coisa de gente utópica, ideológica... insana. Falta pé no chão... ou conta pra pagar!
Estes acessos esporádicos, podem, por escolha, tornarem-se mais frequentes, mais efetivos. E vamos nos alimentando do apreender da história, do contexto. E vamos assim, nos percebendo parte do todo. E enquanto parte do todo, começamos a construir críticas. Criticas seguras, embasada em anos de pesquisa antropológica, sociológica, política.
Assim, com todo acesso e interesse e pesquisa, nos aproximamos da questão social e, muitas vezes, chegamos no questionamento do que nos alimenta. Do que procuramos nos alimentar. Na reflexão de: Temos fome de que?
A resposta é relativa e, muitas vezes incerta. Mas quando ameaçada, buscamos pela segurança de garantir aquilo que nos formamos. E para defender aquilo que nos formamos, com muito esforço, e que nos identificamos, no momento de ameça, a moral e a ética caem facilmente para a teoria.
O exercício de manter-se ético perante ao todo, provoca, quase que naturalmente, um enfrentamento frente ao todo. E em uma escolha que busca a complexa e relativa práxis da ética, só se tem ao lado os que assumem o risco de perder algumas estruturas tidas como básicas. O que nunca fácil, pois nunca uma escolha desta gera consequências só pra quem a fez. Leva tudo e todos ao redor.
Mas a escolha, é sempre do individuo. Pronto ou não para as consequências. E penso que refletir sobre a práxis da ética requer consequências pesadas em escolhas solitárias, numa realidade macro onde a ética é prensada de acordo com a área (comercial, mercantil) que se apropria dela. Num todo que buscará sempre pela relatividade da ética para segurança e garantia de suas fome saciadas.
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