Sinto acimentar.
Não se vive nas metrópoles... Se faz urgente acimentar.
Aceitar a violência em sua forma mais sutil... A pobreza em sua forma mais ornamental.
Não se pode deixar sentir a miséria, é urgente disfarça-la.
Ocupar os olhos, enganar os ouvidos, fingir ar fresco.
Não se tem tempo para sentir tudo que foi arrancado, acimentado, cortado, gradeado, calado, morto!
Se fingir vivo, ocupado, importante e acima de tudo feliz!
Se olha a desgraça alheia para confortar, se ocupa de todas as formas para não parar...
Sinto acimentar.
O creme cinza, de atraente aparência enquanto fresco - fresco!
Te enrijece de dentro pra fora, limitando os movimentos, estreitando espaços até que a força vital se concentre no passo a passo, no dia a dia, no pão de poucos de cada dia. A energia se esgota na insistência de superar o cimento, cada um por si.
A cidade não tem espaço para malemolências, sentimentalismos, ócio ou zen;
A cidade acimenta quem vem e ilude sobre a riqueza que tem.
Sinto acimentar
Na dor aguda no centro do dorso, nem chega ao coração.
Pesa aos ombros, entorta a coluna, cheira solidão.
Os pés firmes se iludem no sapato, que se firma no cimento, mal sabe o que é chão.
Ah os homens da cidade... já criaram a solução!
Na lista do CID minha angústia já tem nome.
Descrita com termos técnicos, impositores, assustadores, convincentes
É tanta técnica e tecnologia e eu tonta, tentando ser gente!
Sinto acimentar o abstrato, o tato, o trabalho...
A arte, as relações em partes, o lucro, o gozo
Confundindo recompensa com satisfação
Sinto que se não acimentar, não entro no jogo, não.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Parecia que havia uma vida
Parecia que havia uma vida
Uma vida pronta, lapidada
Esperando ser vivida, assumida
Esperando uma dor ser superada
Dor de empatia, de olhos, de injustiça
Dor de esperança, de ardor, de polícia
Dor de sonho revolucionário
De identificar e passar por otário!
Chamada de imaturidade
Esperar que o mundo mude
Trabalho como atitude
Esperar da vida, solitude!
Representar o papel social
E ainda ser mulher integral
Tateio uma força essencial
Que não havia neste grau
Mulheres idosas, sábias e sem ideal
Me plantaram os pés no chão... Sem igual!
Parecia que havia uma vida
Esperando eu estar vivida
De lutas, de brigas, de tentativas
Esperando meu recuo, minha prerrogativa
A desesperança que cativa...
O silêncio que ativa
A força que cedia
para o que era de ser meu um dia.
Uma vida pronta, lapidada
Esperando ser vivida, assumida
Esperando uma dor ser superada
Dor de empatia, de olhos, de injustiça
Dor de esperança, de ardor, de polícia
Dor de sonho revolucionário
De identificar e passar por otário!
Chamada de imaturidade
Esperar que o mundo mude
Trabalho como atitude
Esperar da vida, solitude!
Representar o papel social
E ainda ser mulher integral
Tateio uma força essencial
Que não havia neste grau
Mulheres idosas, sábias e sem ideal
Me plantaram os pés no chão... Sem igual!
Parecia que havia uma vida
Esperando eu estar vivida
De lutas, de brigas, de tentativas
Esperando meu recuo, minha prerrogativa
A desesperança que cativa...
O silêncio que ativa
A força que cedia
para o que era de ser meu um dia.
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Na ordem do capital
As turbulências estão constantes
O filtro parece entupido...
Da política inconstante às pessoas de instante
As tentativas tolas de estar certo,
Fechados como livros na estante.
Editoriais corrompidos.
Consumidos.
Cansativos.
A tentativa de acompanhar
É vencida e maltratada por uma vida pra inventar.
Tentando respirar, entre cinzas
Que nos poemas nos permitem suspirar,
ainda que ranzinzas.
O frio castiga, empurra pra baixo e pra dentro,
Quem deveria estar atento, ocupando o centro,
Não dormindo em calçada, abraçado ao relento.
Os injustiçados focam na sobrevida,
Os privilegiados, em graus determinados,
se dividem nesta briga:
Alienados, obedientes, pau-mandados...;
Indignados, acadêmicos e revoltados;
E os tranquilos burgueses mal amados!
Tudo na ordem piramidal!
Tudo no caos natural,
Do capitalismo normal.
O filtro parece entupido...
Da política inconstante às pessoas de instante
As tentativas tolas de estar certo,
Fechados como livros na estante.
Editoriais corrompidos.
Consumidos.
Cansativos.
A tentativa de acompanhar
É vencida e maltratada por uma vida pra inventar.
Tentando respirar, entre cinzas
Que nos poemas nos permitem suspirar,
ainda que ranzinzas.
O frio castiga, empurra pra baixo e pra dentro,
Quem deveria estar atento, ocupando o centro,
Não dormindo em calçada, abraçado ao relento.
Os injustiçados focam na sobrevida,
Os privilegiados, em graus determinados,
se dividem nesta briga:
Alienados, obedientes, pau-mandados...;
Indignados, acadêmicos e revoltados;
E os tranquilos burgueses mal amados!
Tudo na ordem piramidal!
Tudo no caos natural,
Do capitalismo normal.
quarta-feira, 29 de junho de 2016
É isto!
É isto!
O que foi dito, está dito
Ditado e doído
De dor ou de alívio
Dito dilúvio
É isto!
Foi feito e sentido
Efeito do dito irado
Ecoa, ressoa
do dito machucado.
É isto!
Teu dito
Meu calado
Foi isto!
Teu dito ressentido
Pensado no vivido
Alívio de ter dito
E a mim machucado.
Foi isto!
Dito do passado
Da dor de agir errado
Por ti assim julgado
Em mim fica pesado.
Foi isto,
Teu dito
E meu calado...
É isto!
Digo agora de mim
Teu dito no meu calado
Fez do erro ser arcado
Peito pesa por um lado...
É isto!
Do espaço superado
Passado foi plantado
Do adubo me foi dado
Gera broto germinado.
É isto!
Teu dito
Meu alado.
O que foi dito, está dito
Ditado e doído
De dor ou de alívio
Dito dilúvio
É isto!
Foi feito e sentido
Efeito do dito irado
Ecoa, ressoa
do dito machucado.
É isto!
Teu dito
Meu calado
Foi isto!
Teu dito ressentido
Pensado no vivido
Alívio de ter dito
E a mim machucado.
Foi isto!
Dito do passado
Da dor de agir errado
Por ti assim julgado
Em mim fica pesado.
Foi isto,
Teu dito
E meu calado...
É isto!
Digo agora de mim
Teu dito no meu calado
Fez do erro ser arcado
Peito pesa por um lado...
É isto!
Do espaço superado
Passado foi plantado
Do adubo me foi dado
Gera broto germinado.
É isto!
Teu dito
Meu alado.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
ComFusão
Em tempos de ódio, um respiro de amor soa ofensivo!
É necessário se preservar, resistir às imposições da moral burguesa, questionar sem medo, pois se houver respostas, que elas nos levem à outras intermináveis perguntas!
Eu prefiro viver em fusão com aquele que se dispõe, com o contexto que se impõe.
Com fusão se funde, se fode;
se mescla, se morre;
se mata e renasce!
O medo de sentir dor faz a gente inventar amor.
Amor posse, amor sonho, amor doce..
Que arde, adoece, adormece, enfraquece.
E de ardente não passa da epiderme.
Amortece na pele sem destruir razões, sem veracidade...
Por medo de desfazer o que por tempos te fez verdade.
Eu prefiro o caos que destrói uma base covarde,
e nos pedregulhos restantes, do ócio à novos instantes.
Eu prefiro a insegurança, o medo e o alarde
À naturalização do desdém, do alguém, ser ninguém.
Que falsa segurança se provém,
De uma vida limitada, por medo da arrancada,
Que com a morte ou na pancada,
Em todo mortal, sempre vem!
É necessário se preservar, resistir às imposições da moral burguesa, questionar sem medo, pois se houver respostas, que elas nos levem à outras intermináveis perguntas!
Eu prefiro viver em fusão com aquele que se dispõe, com o contexto que se impõe.
Com fusão se funde, se fode;
se mescla, se morre;
se mata e renasce!
O medo de sentir dor faz a gente inventar amor.
Amor posse, amor sonho, amor doce..
Que arde, adoece, adormece, enfraquece.
E de ardente não passa da epiderme.
Amortece na pele sem destruir razões, sem veracidade...
Por medo de desfazer o que por tempos te fez verdade.
Eu prefiro o caos que destrói uma base covarde,
e nos pedregulhos restantes, do ócio à novos instantes.
Eu prefiro a insegurança, o medo e o alarde
À naturalização do desdém, do alguém, ser ninguém.
Que falsa segurança se provém,
De uma vida limitada, por medo da arrancada,
Que com a morte ou na pancada,
Em todo mortal, sempre vem!
sábado, 5 de março de 2016
Pétalas no chão
Sempre gostei das pétalas pelo chão
O vento trás e o despetalar da flor se põe
Sempre entendi o sopro com uma benção
Até entender que entre nascer e morrer
... a vida se impõe
Me questionei se estamos vivendo
Quando não pude ir onde desejei
Me questiono se estamos morrendo
Quando aceito o imposto, no desgosto
... que não planejei
Tenho escolhido olhar pra cima
Acreditando na chuva como alívio
No abraço sincero me sentir acolhida
E forte para resistir, insistir e pelo outro
.... não me aceitar vencida
Há sempre, em toda história, a opressão do Estado
Calando povos, que pelo trabalho, no minímo
... Respeito deveriam ter!
Assassinatos e suicídios findam sonhos, ideologias
De quem não aceita, não compactua com o jogo do poder.
O vento trás e o despetalar da flor se põe
Sempre entendi o sopro com uma benção
Até entender que entre nascer e morrer
... a vida se impõe
Me questionei se estamos vivendo
Quando não pude ir onde desejei
Me questiono se estamos morrendo
Quando aceito o imposto, no desgosto
... que não planejei
Tenho escolhido olhar pra cima
Acreditando na chuva como alívio
No abraço sincero me sentir acolhida
E forte para resistir, insistir e pelo outro
.... não me aceitar vencida
Há sempre, em toda história, a opressão do Estado
Calando povos, que pelo trabalho, no minímo
... Respeito deveriam ter!
Assassinatos e suicídios findam sonhos, ideologias
De quem não aceita, não compactua com o jogo do poder.
domingo, 13 de dezembro de 2015
Indústria Cultural
A compreensão de
Indústria Cultural pode-se partir da ideia dada de industrialização da cultura,
ou seja, a cultura como um processo de desenvolvimento contínuo, acelerado e
repetitivo para compra e venda e para atender (e criar) uma demanda de marcado.
Se entendermos o papel fundamental da Revolução Industrial para o modelo
socioeconômico capitalista, rédeas da atual sociedade mundializada, se faz
possível uma compreensão mais larga sobre este conceito para a cultura. E se,
segundo a sociologia, cultura é tudo que o ser humano constrói, reproduz e
reforça de geração em geração, por meio de comportamentos, ações, relações que
caracterizam uma sociedade, torna-se possível entender que há então, na
proposta de Indústria Cultural, uma otimização do processo de produção de
cultura. Como se fosse necessário acelerar as produções culturais,
característica especificamente humana.
Neste acelerar de
produções culturais, não é possível acelerar gerações. Para que a cultura se
defina enquanto característica de um povo, são necessárias gerações que
fortaleçam esta construção social. A industrialização da cultura não respeita
este tempo de estruturação e passa a produzir uma cultura a ser consumida,
mercantilizada. E objetiva, em uma única geração, a consolidação de sua proposta
comportamental por meio de mercadorias que caracterizam e definam o sujeito
social, como música, moda, filmes. Assim, no senso comum, a cultura é
facilmente confundida com arte.
A arte é uma
manifestação exclusivamente humana, assim como a cultura, e por meio dela
faz-se cultura. Como uma expressão do sujeito, a arte torna possível a
construção objetiva, palpável, de sentimentos e condições subjetivas, sensações
que todos os humanos reconhecem, mas poucos conseguem objetivar em palavras,
formas, sons ou movimentos. Como saudade, amor, raiva... Todas estas palavras
são códigos para que consigamos nos entender, foram criadas a partir de
manifestações que buscavam definições para o que humano sente. Culturalmente
elas se fortaleceram em nossa sociedade, tornando-se códigos comuns, mas
artisticamente elas nunca serão definidas, determinadas a uma única
manifestação, ampliando possibilidade de entendimentos.
A Indústria Cultural
assume então a produção artística, e fazedores de arte para o mercado consumidor,
criam peças que dialogam com nossas angustias, com nosso vazio, com nossas
insatisfações, provocando uma rápida identificação ao ser humano que busca
respostas para suas subjetividades. Vale lembrar que vivemos em uma realidade
que não nos permite tempo e espaço para a produção artística que concretize
nossas subjetividades, então saciamos esta necessidade numa busca externa. Nosso
trabalho limita-se em atividades repetitivas cuja produção não nos pertencem e
nosso tempo fora dos empregos são consumidos por mercadorias que são vendidas
para nosso entretenimento, ou melhor, distração. A indústria cria momentos para
que não precisemos pensar, afinal, trabalhamos a semana inteira e merecemos
descansar! Este ritmo de vida imposto é resultado desta indústria que,
vinculada à criação de nichos de mercado, de novas necessidades, constrói novos
comportamentos sociais, ou seja, constrói cultura.
Se a cultura é uma
construção natural do ser humano e passa a ser industrializada para ser
consumida, ela deixa de ser um produto resultado de um trabalho para ser
mercadoria resultado de um emprego! A cooptação da produção artística pelas
rédeas do capitalismo provoca uma hegemonia cultural, onde o mercado
mundializado cria e atende demandas por todo o planeta, tornando “natural” as
mesmas formas de se comportar, se vestir, se alimentar... Podendo causar ao
longo da história um genocídio cultural, descaracterizando povos que são
julgados atrasados, não civilizados e causando nos sujeitos um processo de
desaculturação. Para que esta cultura do capitalismo, do consumo, do
fortalecimento de subjetividades individuais que parecem saciadas na compra de
mercadorias seja compreendida como natural, é imprescindível que outras
instituições participem desta construção cultural.
Quando a educação
institucional passa a ser obrigatória ao termino da chamada primeira infância
compreende-se o valor desta educação para a formação do sujeito social. É lá,
na escola, que aprendemos os valores alimentados em sociedade, como se
comportar, como se relacionar, como trabalhar... E ao longo deste processo
educativo saímos prontos para dar continuidade a esta cultura depois de doze
anos.
A formação de professores
e pedagogos atende a esta necessidade de hegemonia cultural, fortalecendo
padrões de comportamento por meio de sujeito frutos da Indústria Cultural, que
inibe a criatividade humana, a produção artística do sujeito limitando sua
forma de comunicação. A arte passa a ser distanciada, reconhecida num mercado
fechado e especifico de atuação. E o possível interesse da juventude em se
desenvolver artisticamente fica estruturado à fama, reconhecimento e sucesso,
subjetividades que são frutos culturais da hegemonia do capital.
Professores e
educadores que fortalecem esta ideologia acreditam ser imparciais no processo
de ensino proposto, pois como fruto desta cultura do capital, eles entendem o
comportamento de adaptação e valores sociais (apoiados na subjetividade do indivíduo) como naturais ao ser humano, e obedecem às regras como movimentos
orgânicos da sociedade. Produtos de uma educação privatizada, de ideologia
neoliberal, estes profissionais são formados de acordo com a demanda de
mercado, e não com qualquer intuito de questionar a realidade capitalista. Ideologicamente
devem contribuir com a formação do sujeito para que ele tenha uma boa profissão
e conquiste bens materiais e sucesso, estruturas para o conceito de felicidade
da cultura do capital. Palavras definidas pela Indústria Cultural ao “fazer”
artistas que expressem o que precisamos saber para nos manter socialmente
equilibrados.
Toda naturalização
desta cultura produz intelectuais e artistas orgânicos na manutenção desta
ideologia. Segundo os autores da obra “Brevíssima Introdução à Sociologia
Crítica”, a Ideologia é o discurso que mascara os verdadeiros interesses do indivíduo, que surge por meio de suas ações. É quando o professor explicita sua
preocupação em relação ao desenvolvimento da criança, mas a proíbe de desenhar
livremente ou pintar o mar de rosa. Este exemplo aplicado à educação infantil
demonstra que o verdadeiro interesse do profissional é adaptar a criança à
realidade, e não desenvolver seu potencial. E esta ação aparentemente
incoerente não faz do professor um sujeito maldoso, mas um sujeito tomado pelos
valores da Ideologia dominante que dita o certo e o errado, o que pode e o que
não pode, o que é arte e o que não é. Assim como alguém que almeja em ser
reconhecido como artista sofre com a exigência do mercado que propõe a
adaptação de sua obra para que seja reconhecida como arte e atenda uma demanda
ou nicho especifico de consumidores. Perde-se aí a honestidade do produto por
meio de um processo mercadológico.
A Ideologia dominante
não é reconhecida enquanto ideologia na cultura do capital. É naturalizada como
comportamento humano. Qualquer outro discurso que questione esta ideologia é
reconhecido pejorativamente como ideologia, construindo assim uma ideia comum
de que ideologia refere-se a ideais utópicos, sem fundamentos, radicais e
subversivos. Mas na sociologia, ciência que parte do senso comum para
construção sólida de conceitos, esta compreensão divide-se em duas grandes
teorias ou correntes de pensamentos sociológicos. Uma, inserida e de acordo com
a ideologia do capital, naturalizando à condição social humana e valorizando
conquistas individuais e outra que questiona esta naturalização e possibilita a
imaginação, a criação, de uma nova realidade que compreenda e sacie as
necessidades humanas básicas, sem invenções. Uma realidade que proporcione o
uso fruto do produto àquele que o desenvolveu e não reduza sua força de
trabalho, sua humanidade, sua existência a mais uma mercadoria à venda.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
A inimizade ideológica entre o amor e a liberdade - Introdução
A amor como construção burguesa limita-se à uma relação monogâmica cujo objetivo está em ambos serem felizes pra sempre! Com a benção de deus até que a morte os separe! Aos moldes DisneyWorld.
A liberdade, apoiada na mesma construção limita-se no indivíduo e seu poder em exercê-la. A minha liberdade termina onde começa a sua. Aos moldes do capital!
A ideia de esperar alguém que nos preencha é a mesma utilizada no marketing na venda de mercadorias cuja necessidade social foi criada pelo mercado, e embutida no indivíduo. "Você será feliz se adquirir o produto". Um produto resultado de mão de obra alheia e expropriada dos trabalhadores que investiram tempo e força de trabalho à um objeto que não lhes pertence. Pertence àquele que compra, e o objetivo é que traga a satisfação e completude como quando a realização de se produzir um produto cujo valor de uso será do próprio trabalhador.
A felicidade, um conceito duvidoso, é por Marx definido pelo momento de realização da pessoa após um trabalho realizado. Lembrando que o conceito de trabalho está apoiado na dialética materialista, quando o trabalho transforma a matéria-prima E o sujeito. Na atual conjuntura, qual o emprego que proporciona a dialética? Qual a função exercida que transforma o indivíduo intelectualmente? A limitação das nossas ações, somada ao exercício da repetição e a rotina, torna-nos mecanizados e alienados frente ao processo todo de produção, impossibilitando-nos de gozar de nossas próprias forças de trabalho.
É neste contexto de expropriação que aprendemos a buscar no outro a vida que nos falta. Este encontro, quando ocorre, é preenchido com as demais necessidades (intermináveis) de ser feliz. A compra de um carro, de uma casa própria, filhos, escolas de qualidade, empregos estáveis que nos permita comprar, possuir, adquirir e acreditar que somos felizes.
A liberdade se encaixa no direito de ser feliz, de buscar a felicidade para sempre. É a liberdade do ratinho enjaulado correr na rodinha sempre que quiser. Precisar pagar pela água, pela comida, pelo destino do cocô, só me dá a liberdade-obrigatória de conseguir dinheiro pra isso, custe o que custar. E no caminho, espero o encontro do grande amor que me saciará a incompletude, e também, ser aquela (única) que calará as angústias alheias. Se a falta do dinheiro me faz faltar as condições básicas (água, comida, cocô), pensar no amor de outro para me completar soa uma possibilidade ainda mais longínqua, mas ainda palpitante nos sonhos mais urgentes, desde criança.
Dentro das atuais condições, onde direitos básicos são violados, há ainda a cobrança de se ter alguém, UM alguém, O alguém, que não atuará como sujeito de possibilidades empáticas e de alteridade, mas sim como homem e mulher para construção divina da família, cujo sonho e objetivo, é a propriedade privada, fetichizado como a casa própria.
O fetiche, para Marx, é quando um produto, resultado da força de trabalho, vira mercadoria, uma coisa metafísica, fruto de relações objetivas de produção com alto valor de troca. Um carro é um meio de locomoção. Uma ferrari parece te levar pra outro lugar... "A forma mercadoria é a síntese das relações sociais que se erigem a partir do trabalho, de tal forma que essas relações dão-se 'não como relações diretamente sociais entre pessoas em seus próprios trabalhos, senão como relações reificadas entre as pessoas e relações sociais entre coisas'" (BOLOGNESI, 1996)
Marx nos alerta para a construção das relações pessoais coisificadas e relações sociais entre objetos, mercadorias no capitalismo. Considerando nossa realidade alienante, onde nos sobra vida não dormida esperamos das relações sociais o que nos prometem à venda das mercadorias. Quando nos apaixonamos, nos referimos ao outro como numa monarquia (príncipe, princesa), reproduzindo a ideologia e fetichizamos a relação. Aprendemos com o "direito natural da propriedade privada" que o que é meu é meu por direito. Aplicamos esta mesma lógica ao que é nosso por conquista - quase meritocrático - e toda esta relação tornada social, consequentemente, se reflete nas relações pessoais.
Ser a mulher de alguém, entregue das mãos do pai ao marido. Ritual que se repete e fortalece a condição de objeto da mulher sem muitas explanações materialistas. A mulher tende a reproduzir o comportamento ao chamar de seu o homem com o qual se deita. O ato de possuir uma pessoa remete-me à escravidão, nada mais.
Voltamos ao amor! O amor como mercadoria fetichizada que promove a relação de posse entre o casal, é o amor que se permite na ideologia burguesa. Valores como fidelidade são focados no ato sexual e desconsiderado na relação que deveria ser pessoal. O compromisso é exigido carnalmente, visível aos olhos da sociedade que parece produzir mais uma mercadoria para venda. O valor de troca dos casamentos são mais elevados que o valor de uso, já que é comum que os casais se aturem para honrar o contrato. Relações pessoais estabelecidas por um contrato de reconhecimento do Estado e legitimação legal e inquestionável.
Quando se é posse, a liberdade deveria ser um ideal. Mas forma-se uma difusa utopia quando se acredita ser livre, adotando o conceito de liberdade do ratinho na gaiola, com a sensação de que se pode correr na rodinha sempre que quiser... A questão permeia nos indefiníveis conceitos de amor e liberdade, na complexidade do que se sente, considerando a construção cultural que muitas vezes nos define de fora pra dentro, e o comportamento social frente à estes dois maiores desejos da humanidade.
A liberdade, apoiada na mesma construção limita-se no indivíduo e seu poder em exercê-la. A minha liberdade termina onde começa a sua. Aos moldes do capital!
A ideia de esperar alguém que nos preencha é a mesma utilizada no marketing na venda de mercadorias cuja necessidade social foi criada pelo mercado, e embutida no indivíduo. "Você será feliz se adquirir o produto". Um produto resultado de mão de obra alheia e expropriada dos trabalhadores que investiram tempo e força de trabalho à um objeto que não lhes pertence. Pertence àquele que compra, e o objetivo é que traga a satisfação e completude como quando a realização de se produzir um produto cujo valor de uso será do próprio trabalhador.
A felicidade, um conceito duvidoso, é por Marx definido pelo momento de realização da pessoa após um trabalho realizado. Lembrando que o conceito de trabalho está apoiado na dialética materialista, quando o trabalho transforma a matéria-prima E o sujeito. Na atual conjuntura, qual o emprego que proporciona a dialética? Qual a função exercida que transforma o indivíduo intelectualmente? A limitação das nossas ações, somada ao exercício da repetição e a rotina, torna-nos mecanizados e alienados frente ao processo todo de produção, impossibilitando-nos de gozar de nossas próprias forças de trabalho.
É neste contexto de expropriação que aprendemos a buscar no outro a vida que nos falta. Este encontro, quando ocorre, é preenchido com as demais necessidades (intermináveis) de ser feliz. A compra de um carro, de uma casa própria, filhos, escolas de qualidade, empregos estáveis que nos permita comprar, possuir, adquirir e acreditar que somos felizes.
A liberdade se encaixa no direito de ser feliz, de buscar a felicidade para sempre. É a liberdade do ratinho enjaulado correr na rodinha sempre que quiser. Precisar pagar pela água, pela comida, pelo destino do cocô, só me dá a liberdade-obrigatória de conseguir dinheiro pra isso, custe o que custar. E no caminho, espero o encontro do grande amor que me saciará a incompletude, e também, ser aquela (única) que calará as angústias alheias. Se a falta do dinheiro me faz faltar as condições básicas (água, comida, cocô), pensar no amor de outro para me completar soa uma possibilidade ainda mais longínqua, mas ainda palpitante nos sonhos mais urgentes, desde criança.
Dentro das atuais condições, onde direitos básicos são violados, há ainda a cobrança de se ter alguém, UM alguém, O alguém, que não atuará como sujeito de possibilidades empáticas e de alteridade, mas sim como homem e mulher para construção divina da família, cujo sonho e objetivo, é a propriedade privada, fetichizado como a casa própria.
O fetiche, para Marx, é quando um produto, resultado da força de trabalho, vira mercadoria, uma coisa metafísica, fruto de relações objetivas de produção com alto valor de troca. Um carro é um meio de locomoção. Uma ferrari parece te levar pra outro lugar... "A forma mercadoria é a síntese das relações sociais que se erigem a partir do trabalho, de tal forma que essas relações dão-se 'não como relações diretamente sociais entre pessoas em seus próprios trabalhos, senão como relações reificadas entre as pessoas e relações sociais entre coisas'" (BOLOGNESI, 1996)
Marx nos alerta para a construção das relações pessoais coisificadas e relações sociais entre objetos, mercadorias no capitalismo. Considerando nossa realidade alienante, onde nos sobra vida não dormida esperamos das relações sociais o que nos prometem à venda das mercadorias. Quando nos apaixonamos, nos referimos ao outro como numa monarquia (príncipe, princesa), reproduzindo a ideologia e fetichizamos a relação. Aprendemos com o "direito natural da propriedade privada" que o que é meu é meu por direito. Aplicamos esta mesma lógica ao que é nosso por conquista - quase meritocrático - e toda esta relação tornada social, consequentemente, se reflete nas relações pessoais.
Ser a mulher de alguém, entregue das mãos do pai ao marido. Ritual que se repete e fortalece a condição de objeto da mulher sem muitas explanações materialistas. A mulher tende a reproduzir o comportamento ao chamar de seu o homem com o qual se deita. O ato de possuir uma pessoa remete-me à escravidão, nada mais.
Voltamos ao amor! O amor como mercadoria fetichizada que promove a relação de posse entre o casal, é o amor que se permite na ideologia burguesa. Valores como fidelidade são focados no ato sexual e desconsiderado na relação que deveria ser pessoal. O compromisso é exigido carnalmente, visível aos olhos da sociedade que parece produzir mais uma mercadoria para venda. O valor de troca dos casamentos são mais elevados que o valor de uso, já que é comum que os casais se aturem para honrar o contrato. Relações pessoais estabelecidas por um contrato de reconhecimento do Estado e legitimação legal e inquestionável.
Quando se é posse, a liberdade deveria ser um ideal. Mas forma-se uma difusa utopia quando se acredita ser livre, adotando o conceito de liberdade do ratinho na gaiola, com a sensação de que se pode correr na rodinha sempre que quiser... A questão permeia nos indefiníveis conceitos de amor e liberdade, na complexidade do que se sente, considerando a construção cultural que muitas vezes nos define de fora pra dentro, e o comportamento social frente à estes dois maiores desejos da humanidade.
domingo, 26 de julho de 2015
Não há alteriadade que a faça existir
Numa parada necessária e contra imposta ela escuta as risadas das crianças da praça, e alcança o sorriso quase sarcástico da lua, que se exibe completando-se. Da risada ingênua, surgida num degrau, num abraço, num banco, num encontro ao sorriso maduro, ancião que quase desdenha as alegrias superficiais que ilustram o todo cruel das mãos humanas.
Na estúpida cidade corrente, sentada no chão imundo que sente passar a história humana, de prepotência exuberante e que entope as veias da natureza artística que nos faz humanos. As expressões interrompidas pelas decisões alheias sobre o que fazer com nossas próprias vidas. E quando nos sobra o corpo marcado, mutilado, desprezado, moldado a ser forma que não somos, que não temos.
Alienação plena que nos afasta de nós mesmos, de nos conhecermos. Ela reencontra na arte com o outro, o não-espaço de acesso ao que poderia ser se lhe fosse permitido tempo para se conhecer. E quase que naturalmente egos se fazem muralhas entre ela e os outros, entre os outros e seu olhar de caça. Que caça olhares inquietos que buscam ver oxigênio em meio à fumaça preta que rotula o atualmente proposto. O que ler? O que vestir? Como agir num reforço ignorante e coercitivo ao ser que tenta sair e que nem ao menos sabe o que é.
Na estúpida cidade corrente, sentada no chão imundo que sente passar a história humana, de prepotência exuberante e que entope as veias da natureza artística que nos faz humanos. As expressões interrompidas pelas decisões alheias sobre o que fazer com nossas próprias vidas. E quando nos sobra o corpo marcado, mutilado, desprezado, moldado a ser forma que não somos, que não temos.
Alienação plena que nos afasta de nós mesmos, de nos conhecermos. Ela reencontra na arte com o outro, o não-espaço de acesso ao que poderia ser se lhe fosse permitido tempo para se conhecer. E quase que naturalmente egos se fazem muralhas entre ela e os outros, entre os outros e seu olhar de caça. Que caça olhares inquietos que buscam ver oxigênio em meio à fumaça preta que rotula o atualmente proposto. O que ler? O que vestir? Como agir num reforço ignorante e coercitivo ao ser que tenta sair e que nem ao menos sabe o que é.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Fazia tempo
Fazia tempo que não chovia assim. Continuamente, sem um raio de sol, o
dia inteiro. O céu cinza e aquela chuva interminável, como sua vontade
envolvente de não fazer nada! Parado na janela olhava a água lavar a
mesa do jardim, o tapete que não recolheu, e a ausência dos pássaros,
que vez ou outra se manifestavam ocultos, preenchia o cenário triste com
a trilha adequada.
Fazia tempo que não assistia àquele filme que parece ir juntando todos os órgãos bem no meio do corpo, e no fim, estrangula tudo. Aquela situação que o faz parecer o mais inútil dos humanos, sofrendo por algo tão piegas frente a tanta injustiça do mundo. Mesmo assim, seu sentimento não minimizou, e no seu buraco interno, não cabiam as dores sociais.
Fazia tempo que não tocava aquela música. Parecia estar pausada numa rádio qualquer, esperando o idiota sintonizar e colocar os fones só para ouvi-la. Ouviu inteira, e depois jogou o celular no chão. Fazia tempo que aquele aparelho foi importante, quando havia se tornado uma extensão do outro quando longe, e nunca mais o deixara distante.
Fazia tempo que não ficava parado, sem fazer nada, sem pensar… Apenas sentindo a dor aguda que lhe comprimia o peito e lhe impedia de respirar. O choro vinha feito um tsunami! Sentia o recuo das ondas nos seu corpo, a formação daquele acúmulo de água a ser despejado sobre seu corpo, que se contorcia no sofá. As dores tornaram-se físicas, e contraía toda sua musculatura, até que, em posição fetal, silenciasse a angústia. Mas era só outro intervalo, numa exaustão orgânica e catatônica, sem controle.
Fazia tempo que não se sentia tão sozinho e que o vinho não embriagava a dor.
Fazia tempo que a solidão não corroía tanto, e nada parecia mais reticente do que aquele corredor . Todo aquele silêncio começou a assustar, e o eco da casa esvaziada ampliava o monstro que insistia em sair de dentro dele, mas seus rugidos guturais não o soltavam! Era lá que este bicho insistia em ficar, dilacerando tudo até que o fizesse sentir oco. E foi assim, ao escurecer. Não sentiu o tempo correr e quando se deu conta, parecia estar de olhos fechados.
Se debruçou na janela, e a luz amarela vinda da rua o fez enxergar as plantas, mais verdes que antes… Pareciam felizes!
Levantou, desviou de moveis que não estavam mais lá, acendeu a luz da sala e se deparou com o antigo espelho, que parecia fixado na parede desde que seus avós terminaram a casa. Seus olhos inchados, a pele vermelha, o fizeram a começar a chorar de novo. Mas sua cabeça latejava, não conseguia mais. Não suportava mais a dor que já se tornara física. Fechou os olhos ardidos e lembrou que o amor já foi feito de aroma, de cores reluzentes, de palavras inventadas para um espaço novo de habitação. Todos os sonhos criados e uma rotina almejada que buscam singularidades que provem que o amor, aquele amor, é tão único e forte como o sol. Mas assim como com o sol, os dias que acreditamos que sua energia é inesgotável se estendem, e ele de tão essencial, não se faz mais tão contemplativo. Apenas faz parte do que a vida é!
Fazia tempo que não imaginava a impossibilidade da vida sem sol. E foi na dor, que se perdeu na compreensão da essencialidade do amor.
Fazia tempo que não assistia àquele filme que parece ir juntando todos os órgãos bem no meio do corpo, e no fim, estrangula tudo. Aquela situação que o faz parecer o mais inútil dos humanos, sofrendo por algo tão piegas frente a tanta injustiça do mundo. Mesmo assim, seu sentimento não minimizou, e no seu buraco interno, não cabiam as dores sociais.
Fazia tempo que não tocava aquela música. Parecia estar pausada numa rádio qualquer, esperando o idiota sintonizar e colocar os fones só para ouvi-la. Ouviu inteira, e depois jogou o celular no chão. Fazia tempo que aquele aparelho foi importante, quando havia se tornado uma extensão do outro quando longe, e nunca mais o deixara distante.
Fazia tempo que não ficava parado, sem fazer nada, sem pensar… Apenas sentindo a dor aguda que lhe comprimia o peito e lhe impedia de respirar. O choro vinha feito um tsunami! Sentia o recuo das ondas nos seu corpo, a formação daquele acúmulo de água a ser despejado sobre seu corpo, que se contorcia no sofá. As dores tornaram-se físicas, e contraía toda sua musculatura, até que, em posição fetal, silenciasse a angústia. Mas era só outro intervalo, numa exaustão orgânica e catatônica, sem controle.
Fazia tempo que não se sentia tão sozinho e que o vinho não embriagava a dor.
Fazia tempo que a solidão não corroía tanto, e nada parecia mais reticente do que aquele corredor . Todo aquele silêncio começou a assustar, e o eco da casa esvaziada ampliava o monstro que insistia em sair de dentro dele, mas seus rugidos guturais não o soltavam! Era lá que este bicho insistia em ficar, dilacerando tudo até que o fizesse sentir oco. E foi assim, ao escurecer. Não sentiu o tempo correr e quando se deu conta, parecia estar de olhos fechados.
Se debruçou na janela, e a luz amarela vinda da rua o fez enxergar as plantas, mais verdes que antes… Pareciam felizes!
Levantou, desviou de moveis que não estavam mais lá, acendeu a luz da sala e se deparou com o antigo espelho, que parecia fixado na parede desde que seus avós terminaram a casa. Seus olhos inchados, a pele vermelha, o fizeram a começar a chorar de novo. Mas sua cabeça latejava, não conseguia mais. Não suportava mais a dor que já se tornara física. Fechou os olhos ardidos e lembrou que o amor já foi feito de aroma, de cores reluzentes, de palavras inventadas para um espaço novo de habitação. Todos os sonhos criados e uma rotina almejada que buscam singularidades que provem que o amor, aquele amor, é tão único e forte como o sol. Mas assim como com o sol, os dias que acreditamos que sua energia é inesgotável se estendem, e ele de tão essencial, não se faz mais tão contemplativo. Apenas faz parte do que a vida é!
Fazia tempo que não imaginava a impossibilidade da vida sem sol. E foi na dor, que se perdeu na compreensão da essencialidade do amor.
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